Doenças


Acidente Ofídico (Picada de Cobra)

O Acidente Ofídico é o envenenamento de homens e animais pela picada de cobras venenosas através da injeção de suas toxinas (veneno). 

Noventa por cento dos casos de acidentes com picada de cobra em bovinos no país são provocados por serpentes venenosas do grupo botrópico: jararaca, jararacuçu, caiçara, urutu, cotiara e cruzeira. Espalhadas pelo Brasil inteiro, causam problemas difíceis de se lidar no dia-a-dia da empresa rural. Com uma frequência menor, mas não menos grave, estão os acidentes com cascavel do grupo crotálico (cerca de 9% dos casos). A cobra-coral, do grupo micrurus, raramente cria caso com bovinos (apenas 1% dos casos).

Mais raros ainda, mas que podem ocorrer, são os casos de picada de surucucu, de pico de jaca e surucutinga, todas do grupo laquésico. Acontecem de quando em quando, em algumas regiões do Brasil, principalmente na região Norte.

Muitos casos de morte de animais que ocorrem em todo o Brasil, principalmente bovinos e equinos, ainda são considerados culpa das cobras. Entretanto já se sabe que isso não é verdade. Precisamos diagnosticar as mortes, através de um veterinário, porque muitas doenças matam rapidamente e com características de envenenamento por cobras como manqueira e intoxicação por plantas. Por isso precisamos saber o que realmente está acontecendo, para tomarmos as medidas corretas de prevenção. 

Como reconhecer

Cada tipo de cobra provoca um tipo de sintoma. Como 90% dos casos são picadas de cobras do tipo da jararaca (grupo botrópico), é aconselhável memorizar os sintomas por elas provocados.

No caso dos bovinos é raro presenciar o momento da picada. O principal sinal é um inchaço no ponto da picada, frequentemente nas patas. Marcas deixadas pelos dentes da cobra nem sempre são visíveis. Dependendo da quantidade de veneno injetado pela cobra, esse inchaço pode se espalhar e, com a evolução, causar necrose local do tecido e o aparecimento de grandes feridas. Quando as lesões são muito extensas, a dor forte deixa os animais abatidos e sem apetite. 

As picadas de cascavel e cobra-coral, todavia, não provocam esse quadro. Não há sinais no local da picada. Nota-se uma perturbação geral do animal, que se apresenta inicialmente agitado e, em seguida, abatido, podendo chegar até a inconsciência. Hemorragias podem ocorrer em acidentes com cascavéis.

Como tratar

Antes de pensar em qualquer tipo de tratamento, o importante é lembrar de não amarrar o membro atingido, nem aplicar qualquer tipo de garrote. Essa prática é muito comum, mas apenas agrava mais ainda as lesões da picada. Da mesma forma, não se deve cortar ou abrir a ferida e muito menos sugar ou aspirar no ponto de lesão. Os animais acometidos devem ser mantidos em um local isolado, em repouso. A única terapia efetiva é o soro antiofídico.

Existem vários tipos de soros antiofídicos, um para cada tipo de cobra. O soro antibotrópico é o mais importante para se ter em estoque, devido a sua alta incidência em bovinos (90%). Caso a ocorrência de picadas por cascavel seja freqüente convém ter também o soro anticrotálico. Existem ainda soros polivalentes. Tratamento de suporte ou sintomático também pode auxiliar, dependendo do caso.

Como evitar

Não é possível pensar em diminuir a população de cobras em uma fazenda, até porque elas participam de um delicado equilíbrio ecológico, mantendo sob controle as populações de ratos e outros roedores. Assim, é importante que toda fazenda tenha uma boa quantidade de soro antiofídico em estoque. Convém sempre checar a data de validade do soro e assegurar-se de que sejam mantidos sob refrigeração.

No caso do homem, o uso de botas diminui significativamente a ocorrência de casos de picadas de cobra.


Veja mais

Berne

Berne é uma ectoparasitose causada pela larva de uma mosca chamada Dermatobia hominis, muito comum no Brasil. Durante o vôo, a mosca adulta do berne põe seus ovos em outra mosca qualquer (moscas vetoras). Estas, ao pousarem no gado, depositam os ovos.

Dentro de alguns minutos esses ovos liberam as larvas, as quais perfuram o couro do animal e permanecem no local durante aproximadamente 35 dias. Após este período, caem no solo e passam por outras transformações, até se tornarem moscas adultas, fechando o ciclo. A população bovina está sujeita a infestações mais intensas durante os períodos de maior temperatura e precipitação pluviométrica.

O berne acarreta prejuízos da ordem de US$ 250 milhões de dólares por ano no Brasil, devido à ação irritante de suas larvas, perda na produção de leite e de carne e danos ao couro. Estima-se que uma infestação média de 20 bernes em um animal, no período de um ano, acarrete uma perda de peso de aproximadamente 20 kg. O berne pode atacar outras espécies animais como: cães, ovelhas, caprinos e inclusive os humanos. No homem, as larvas penetram e formam nódulos, principalmente nas partes mais altas do corpo.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela constatação dos nódulos com as larvas sob a pele. Além disso, ao se movimentarem no couro do animal elas causam dor e irritação que prejudicam o estado geral do animal. Os nódulos podem ser contaminados por bactérias, originando abcessos. 

Como tratar

Os tratamentos são feitos com inseticidas à base de organofosforados na forma de pulverização, banhos de imersão ou aplicação pour-on. Pode-se também optar por tratamentos com produtos endectocidas (avermectinas) pour on ou injetáveis.

Como evitar

Deve-se aplicar o controle estratégico no rebanho bovino, ou seja, a realização de duas aplicações por ano, sendo a primeira no início da estação seca com piretróide na forma de pulverização, imersão ou pour on e a segunda no início das águas, com produtos à base de organofosforados. Estas aplicações visam eliminar principalmente os vetores. 

Outra medida importante de manejo a ser realizada é a limpeza das pastagens (roçada), para evitar a presença da mosca-do-berne, pois é uma característica da mesma ficar em locais sombreados e com temperaturas amenas. O controle da mosca-do-berne deve ser regional e realizado em todas as propriedades vizinhas para ser realmente efetivo. 

Métodos eficientes para o combate desse parasita são: Absolut, Ranger, Ranger LA, Ranger 3,5% LA, Lancer, Lancer LA, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Controller CTO POUR-ON, Unguento Vallée e Valléecid Spray

Produtos Vinculados: Absolut, Controller CTO Pour-On, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Lancer LA, Ranger, Ranger LA 3,5%, Unguento Vallée, Valléecid Spray.

 


Veja mais

Diarréias

Apesar do aprimoramento das técnicas de manejo e das estratégias de prevenção e tratamento, as diarreias continuam sendo o problema mais comum e oneroso que afeta os bezerros nas fases iniciais da vida.

Todo criador sabe da importância das diarreias de bezerros sobre a lucratividade da empresa rural. Além das perdas imediatas, geram prejuízos econômicos expressivos atribuídos à perda de animais por morte ou descarte precoce, redução no ganho de peso e crescimento, mão-de-obra para manejar os bezerros doentes, custos dos medicamentos e com honorários do Médico Veterinário.

A crescente tendência de intensificação dos sistemas de produção visando obter maior lucratividade tem causado aumentos significativos na incidência destas doenças.

As diarreias são doenças complexas e multifatoriais, que envolvem o animal, o ambiente, a nutrição e os agentes infecciosos. A ocorrência da doença depende da relação entre a condição imunológica dos bezerros e a carga infectante a qual eles estão submetidos. Vale lembrar que os bezerros com menos de 30 dias de vida ainda são altamente dependentes da imunidade passiva, recebida na colostragem, e que uma alta porcentagem dos bezerros (aproximadamente 40%) apresenta falhas na transmissão desta.

Diarreia não é uma doença por si só. Na verdade ela é um sintoma, um sinal comum a diversas doenças. Na prática, não é fácil determinar com exatidão qual doença está acometendo um animal com diarreia, até porque, muitas vezes, mais de um agente está envolvido simultaneamente. De qualquer maneira, uma grande quantidade de bactérias (Escherichia coli, Salmonella spp.), vírus (Rotavirus, Coronavirus), protozoários (Eimeria spp., Cryptosporidium sp.) e helmintos estão envolvidos nos quadros de diarreia.

É importante lembrar que infecções mistas, com dois ou mais patógenos envolvidos, são muito mais comuns que infecções por um único agente, e que os patógenos que são problema em uma propriedade podem mudar a cada ano. Além disso, em muitos casos um problema nutricional não detectado pode estar combinado com agentes infecciosos.

O principal fator predisponente para o aparecimento das diarreias é a falha na transmissão da imunidade passiva, entretanto, por ser uma doença multifatorial, as interrelações animal-ambiente assumem uma importância fundamental e interferem no desenvolvimento da resposta imune. Destacam-se as seguintes condições como predisponentes:

Higiene: instalações e utensílios em condições sanitárias precárias, alta densidade e falta de agrupamento de animais por faixas etárias, baixa qualidade da água. 

Nutrição: dietas que não atendem aos requisitos nutricionais, fornecimento de leite em quantidade e intervalo de tempo incorretos, sucedâneos do leite de baixa qualidade nutricional, alimentos mofados ou deteriorados. 

Outras doenças concomitantes: principalmente infecções respiratórias e umbilicais. 

A tabela apresenta a distribuição dos principais agentes causadores de diarréia, de acordo com a idade dos bezerros:

Agente Idade (dias)

E. coli enterotoxigênica < 3

Coronavírus 05 - 21

Rotavírus 05 - 15

Salmonella 05 - 42

Criptosporidium 05 - 35

Eimeria > 20

Helmintos > 15

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003)

Rotavírus é a causa mais comum de diarreia em bezerros recém-nascidos, entretanto, infecções por Coronavírus e por E. coli enterotoxigênica apresentam maiores taxas de mortalidade, tornando maior o seu impacto econômico.

Diarreia de origem nutricional também pode ocorrer. O bezerro jovem é extremamente limitado em termos de digestão de nutrientes durante as 3 primeiras semanas de vida e este fato está diretamente relacionado à ausência e inatividade de algumas enzimas digestivas. A atividade da maior parte destas enzimas aumenta a partir da 3ª semana de vida, permitindo a utilização de maior diversidade de ingredientes na formulação das dietas. Sucedâneos do leite contendo alta inclusão de proteínas de origem láctea asseguram os melhores desempenhos das bezerras até 30 dias de vida devido, principalmente, à maior digestibilidade, excelente perfil de aminoácidos e inexistência de fatores anti-nutricionais. 

A ocorrência de diarreias em bezerros jovens é frequentemente súbita e aguda. Os animais tornam-se rapidamente desidratados, embora os sinais clínicos possam ser pouco perceptíveis. A avaliação da quantidade de água perdida é importante para determinação da estratégia de reidratação. Os animais com diarreia tornam-se rapidamente desidratados, com perdas potenciais de 6 a 12% do volume de seus fluidos corporais em apenas um dia.

Como reconhecer

Grau de desidratação e sinais clínicos associados

Perda de água corporal (%) Sinais Clínicos

0 - 5 Leve depressão e diminuição no volume urinário

6 - 8 Olhos fundos, perda de elasticidade da pele, depressão, bocas e narinas ressecadas, maior redução no volume urinário.

9 - 11 Sinais clínicos listados mais pronunciados, extremidades frias, animal em decúbito.

12 - 14 Choque e morte.

Adaptado de FISHER & MARTINEZ (1975)

Como tratar

A chave para o sucesso no tratamento das diarreias é a rápida detecção do problema e intervenção imediata, com administração de uma solução bem balanceada para reidratação oral contendo eletrólitos e nutrientes. Se a reidratação for feita logo no início da diarreia, a taxa de sucesso do tratamento pode chegar a 95% ou mais. Por muitos anos, recomendou-se a suspensão do fornecimento de leite ou sucedâneo, aos primeiros sinais de diarreia. Felizmente, esta prática está sendo abolida, pois priva os animais de sua principal fonte de nutrientes e água. A recuperação dos bezerros é acelerada quando a dieta líquida está associada à hidratação oral, pois ocorre uma diminuição na perda de peso dos animais. A tabela abaixo mostra um exemplo de solução para hidratação oral, que tem apresentado excelentes resultados a campo.

Solução eletrolítica utilizada para hidratação oral de bezerros

Ingrediente Quantidade (g)

Cloreto de Sódio 5,0

Cloreto de Potássio 1,0

Bicarbonato de Sódio 4,0

Glicose 20,0

Água 1 litro

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003).

Esta fórmula pode ser utilizada em todos os tipos de diarreia. A hidratação oral pode ser feita com sucesso até 8% de desidratação. Acima disso, deve-se avaliar o potencial de retorno econômico do animal antes de instituir tratamentos onerosos. Nestes casos, o déficit deve ser corrigido por via intravenosa, continuando posteriormente com a hidratação oral. A quantidade de fluido a ser administrada por bezerro deve ser calculada da seguinte forma:

Déficit = peso vivo x % desidratação

Mantença = 50 a 100ml/Kg PV

Perdas antecipadas = 50ml/Kg de PV

A quantidade total deverá ser fornecida aos bezerros num período de 24h. A solução não deve ser administrada junto com a dieta líquida, respeitando-se um intervalo de 2h, para não haver interferências na digestão. Bezerros com menos de 30 dias de vida não digerem sacarose (açúcar comum), portanto, não se deve utilizá-la em substituição à glicose.

A antibioticoterapia deve ser utilizada em quadros em que os animais apresentarem febre e depressão severa. 

Como evitar

Existem quatro metas principais de um manejo efetivo para prevenção de diarreias:

Fornecimento de colostro de alta qualidade e em quantidades adequadas o mais rápido possível após o nascimento dos bezerros; 

Redução do estresse e do desafio infeccioso dos animais, propiciando-lhes instalações limpas, secas, bem dimensionadas e higienizadas com acesso fácil à água de boa qualidade física e microbiológica; 

Fornecimento de dietas balanceadas para suprir os requisitos nutricionais, assegurando que os bezerros estejam saudáveis e mais resistentes às doenças; 

Observações frequentes dos animais para assegurar tratamentos rápidos e adequados aos doentes. 

Produtos Vinculados: Antidiarréico, Oxitrat-LA, Vetflogin


Veja mais

Intoxicações

A intoxicação é o efeito nocivo que se produz quando uma substância tóxica é ingerida, inalada ou entra em contato com a pele, os olhos ou as membranas mucosas. As intoxicações podem acontecer por uso indevido de medicamentos e agrotóxicos, alimentos mal conservados ou contaminados, contatos com animais peçonhentos, plantas tóxicas, etc. 

Praticamente qualquer substância usada em grande quantidade por qualquer via (oral, injetável, tópica, etc.) pode ser tóxica. A identificação do produto tóxico e a avaliação exata do perigo envolvido são fundamentais para um tratamento eficaz. 

As causas mais comuns de intoxicação em animais domésticos são o uso incorreto de medicamentos e as plantas tóxicas. Entende-se por plantas tóxicas todo o vegetal que, introduzido no organismo dos homens ou de animais domésticos, em condições naturais, é capaz de causar danos que se refletem na saúde e vitalidade desses seres. Elas ocasionam um desequilíbrio que se traduz no paciente como sintomas de intoxicação.

O comportamento tóxico das plantas é bastante variável, pois existem muitos fatores que podem influenciar sua toxicidade, como: tipo de solo, clima, estádio vegetativo da planta, partes da planta, espécie animal, sede (falta de água), desconhecimento da planta pelo animal e período de ingestão. 

O princípio tóxico de uma planta consiste em uma substância ou um conjunto de substâncias quimicamente bem definidas, de mesma natureza ou de natureza diferente, capazes de, quando em contato com o organismo, causar intoxicação.

A intoxicação depende da quantidade de substância tóxica absorvida, da natureza dessa substância e da via de introdução. De acordo com o tempo de exposição do princípio tóxico, a intoxicação pode ser manifestada de dois modos diferentes: intoxicação aguda (quase sempre por ingestão acidental de uma planta ou de algumas de suas partes, surgindo sintomas de intoxicação em tempo relativamente curto) e intoxicação crônica (devido à ingestão continuada, acidental ou propositada de certas espécies vegetais, responsáveis por distúrbios clínicos muitas vezes complexos e graves). 

No Brasil, devido à carência de dados sobre a freqüência das causas de mortalidade em diversos Estados, é difícil estimar as perdas por morte dos animais ocasionadas pelas plantas tóxicas. Estima-se que mais de um milhão de bovinos morrem por ano em decorrência de intoxicação por plantas.

Os principais fatores que desencadeiam perdas econômicas por intoxicação de plantas tóxicas na pecuária são:

Perdas diretas: são aquelas causadas pelas mortes de animais, diminuição dos índices reprodutivos (abortos, infertilidade, malformações), redução da produtividade nos animais sobreviventes e outras alterações em conseqüência de doenças transitórias, enfermidades subclínicas com diminuição da produção de leite, carne ou lã, e aumento à susceptibilidade a outras doenças devido à depressão imunológica.

Perdas indiretas: referentes aos custos de controlar as plantas tóxicas nas pastagens e as medidas de manejo para evitar as intoxicações como a utilização de cercas e o pastoreio alternativo, a redução do valor da forragem devido ao atraso na sua utilização, a redução do valor da terra, a compra de gado para substituir os animais mortos, e os gastos associados ao diagnóstico das intoxicações e ao tratamento dos animais afetados. 

Como reconhecer

O diagnóstico das intoxicações por plantas é realizado pelo conhecimento da ocorrência de plantas tóxicas na região, das doenças causadas por elas, a constatação dos sinais clínicos e a sua evolução. Os dados epidemiológicos são de grande importância tais como a presença da planta, toxicidade, freqüência da doença, época de ocorrência e condições em que ocorre a ingestão. 

Como tratar

Na maioria das intoxicações por plantas não se conhecem tratamentos específicos (antídotos), devendo ser realizados tratamentos sintomáticos. Para algumas existem tratamentos que permitem uma rápida recuperação do animal, caso das intoxicações por ácido cianídrico e nitritos.

Como evitar

Como medida de controle após a suspeita de intoxicação por planta deve-se retirar os animais do local onde está ocorrendo a doença. Uma vez diagnosticada qual a planta que causa a intoxicação, os animais poderão ser recolocados na área se forem modificadas as condições epidemiológicas que determinaram a intoxicação, ou se forem tomadas medidas profiláticas eficientes como: medidas agronômicas da formação de pastos, técnicas de manejo de pastagens. 

Produto vinculado: Hepatoxan


Veja mais

Papilomatose

A papilomatose é uma doença infecciosa e contagiosa, causada por um vírus e caracterizada pela presença de lesões tumorais que ocorrem na pele, mucosas e em alguns órgãos. Acomete muitas espécies de mamíferos e aves.

É conhecida também como "Verruga", "Figueira", "Verrucose", "Fibropapilomatose" e "Epitelioma Contagioso". Pode ser transmitida por contato direto de animal para animal através de abrasões da pele, vetores mecânicos (moscas, carrapatos) e fômites contaminados (arame de cercas, cordas, laços, arreio, peias, tatuador, alicate brincador e agulhas). 

Como reconhecer

Inicia-se pelo aparecimento de pequenos nódulos com aspecto de couve-flor, principalmente nas regiões da cabeça, abdômen, pescoço e úbere, podendo estar em todo o corpo. À medida que vão crescendo apresentam tamanhos variados com coloração cinza ou negra que se prendem à pele por uma base estreita ou pedúnculo. 

Como tratar

Uma variedade de produtos químicos (locais ou sistêmicos) é utilizada, porém, todos com eficácia duvidosa. Quando o número de verrugas é pequeno, o tratamento através da retirada cirúrgica é o ideal. 

O uso de autovacina (formulada com os papilomas do próprio animal) é eficaz em alguns casos, e nessa doença, a vacina é usada como tratamento e não prevenção. 

Como evitar

Embora seja difícil detectar o momento da infecção, assim que o fizer, os animais afetados devem ser separados dos animais suscetíveis. Os equipamentos de uso comum devem ser esterilizados e desinfetados após utilização em animais doentes.


Veja mais

Raiva

A raiva é uma doença que não tem cura: mata. Acomete todos os mamíferos domésticos e silvestres, inclusive o homem.

A raiva dos herbívoros é responsável por enormes prejuízos econômicos diretos. Na América Latina, o prejuízo é da ordem de 30 milhões de dólares/ano, sendo que no Brasil este valor se aproxima de 15 milhões de dólares, com a morte de cerca de 40.000 cabeças bovinas. Os prejuízos indiretos, no Brasil, estão calculados em 22,5 milhões de dólares.

O principal transmissor da raiva para os herbívoros é o morcego hematófago Desmodus rotundus (vampiro). Todo morcego hematófago se alimenta de sangue, mas somente o morcego infectado com o vírus da raiva é que transmite a doença através de sua eliminação pela saliva quando se alimenta. O vírus invade as células do sistema nervoso através da inervação periférica, caminha até o sistema nervoso central (cérebro) e daí para os órgãos do animal infectado.

Como reconhecer 

Passando o período de incubação, que varia de 30 a 150 dias, em média, podem surgir diferentes sinais de raiva, sendo a paralítica a mais comum. Pode ocorrer também a forma furiosa, quando o animal acometido ataca outros animais ou procura investir contra seres humanos.

Quando se trata de raiva transmitida por morcegos, não foram observadas diferenças acentuadas entre as manifestações clínicas nos bovinos, equinos, asininos, muares e outros animais domésticos de importância econômica como caprinos, ovinos e suínos. O sinal inicial é o isolamento do animal, pois este se afasta do rebanho, apresentando certa apatia e perda do apetite. Pode apresentar-se de cabeça baixa e indiferente ao que se passa ao seu redor. Seguem-se outros sinais como aumento da sensibilidade e prurido (coceira) na região da mordedura, mugido constante, tenesmo (dificuldade para defecar e urinar), excitabilidade, aumento da libido, salivação abundante e viscosa e dificuldade para engolir (o que sugere que o animal esteja engasgado). 

Com a evolução da doença, os animais apresentam movimentos desordenados da cabeça, tremores musculares e ranger de dentes, midríase com ausência de reflexo pupilar, incoordenação motora, andar cambaleante e contrações musculares involuntárias. 

Após entrar em decúbito, o animal não consegue mais se levantar e ocorre o aparecimento de movimentos de pedalar dos membros anteriores e posteriores, dificuldades respiratórias, opistótono (cabeça voltada para trás), asfixia e morte. Esta última ocorre, geralmente, entre 2 a 6 dias após o início dos sinais, podendo prolongar-se em alguns casos, por até 10 dias. 

Uma vez iniciados os sinais clínicos da raiva, nada mais resta a fazer, a não ser isolar o animal e esperar pela sua morte, ou sacrificá-lo na fase agônica. Como os sinais podem ser confundidos com outras doenças do sistema nervoso, é importantíssimo que seja feito o diagnóstico laboratorial. Este é altamente necessário, porém, pelo histórico da existência de morcegos hematófagos na região, a não vacinação e a ocorrência da doença em todas as categorias animais e em espécies diferentes (bovinos, equinos...), podem levar a uma suspeita de raiva.

A manipulação da carcaça de um animal raivoso oferece risco elevado. Deve-se ter extrema cautela ao lidar com animais suspeitos, pois pode haver perigo quando pessoas não preparadas manipulam a cabeça e o cérebro ou introduzem a mão na boca dos animais, na tentativa de desengasgá-los. Caso isso ocorra, deve-se procurar imediatamente um Centro de Saúde para atendimento.

Quando se suspeita de raiva em um animal é indispensável recorrer a um veterinário para a realização de uma necropsia e coleta de material para exames laboratoriais e confirmação da doença. O principal material para envio ao laboratório é o cérebro dos animais suspeitos (fragmentos de: cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal) parte refrigerado e parte em formol a 10%. Esse material deve ser enviado em um recipiente bem selado dentro de um isopor hermeticamente fechado e identificado com letras garrafais: “CUIDADO! MATERIAL INFECCIOSO PARA DIAGNÓSTICO. SUSPEITA DE RAIVA”. 

Como tratar

Não existe nenhum tratamento para a raiva.

Como evitar

Para o adequado controle da raiva dos herbívoros, três medidas devem ser sistematicamente adotadas: vacinação dos animais, controle populacional do morcego hematófago e atendimento de foco.

- Vacinação

O animal deve estar saudável no momento da vacinação para que outros processos metabólicos e patogênicos não interfiram na resposta imunológica. Os cuidados de vacinação devem ser adequados quanto à via de aplicação, dose, conservação da vacina, tanto no momento da vacinação como desde a sua produção.

- Controle da população de morcegos Hematófagos.

As condições de meio ambiente existentes no Brasil vêm favorecendo o aumento da população de morcegos hematófagos.

Considerando a circulação do vírus da raiva entre as populações de quirópteros (ciclo aéreo da raiva), e a importância do morcego hematófago na epidemiologia desta doença nos herbívoros, medidas criteriosas e efetivas de controle devem ser seguidas.

Atualmente, as medidas oficiais de controle adotadas baseiam-se no uso da pasta vampiricida (à base de substâncias anticoagulantes), seja nos morcegos hematófagos ou nas mordeduras nos animais agredidos e no uso do mesmo anticoagulante na forma de gel pour-on (ao longo do dorso do animal) em todos os animais do rebanho.

- Atendimento de focos

Quando há comunicação de um caso suspeito de raiva em herbívoros, deve ser feita uma visita à propriedade e entrevistas com as pessoas ali residentes e/ou presentes, para que se conheçam pormenores da ocorrência da raiva. Devem ser feitos também a avaliação da sintomatologia dos animais suspeitos e exames clínicos de todos os animais do rebanho que estejam apresentando sintomas. A colheita de material para exame laboratorial também é indispensável. Somente exame laboratorial pode confirmar ou descartar o diagnóstico clínico.

Produto vinculado: Raivacel Multi


Veja mais

Verminose

Verminose é uma doença causada por várias espécies de parasitas, uns mais patogênicos e outros menos. A verminose causa grandes prejuízos, podendo levar até a 20% de redução da produção leiteira e diminuição do desenvolvimento de animais jovens.

Estima-se que bovinos parasitados com verminose chegam a apresentar perda de peso de até 40kg por ano, aproximadamente.Em ovinos e caprinos os prejuízos são principalmente mortalidade de animais jovens devido a altas infestações de vermes, baixo ganho de peso, má qualidade da lã, entre outros. 

Os equinos apresentam os mesmos sintomas acima citados, embora algumas espécies de vermes possam causar cólicas e até tumores, mas a maior influência está relacionada à diminuição do desempenho dos animais.

Animais infectados com os vermes adultos eliminam ovos destes parasitos com as fezes. Os ovos transformam-se em larvas que contaminam novamente as pastagens.

A gravidade da verminose e a intensidade da infecção por vermes estão diretamente relacionadas com a espécie de verme e o grau de infecção, e este por sua vez, depende de diversos fatores, tais como as condições climáticas, solo, vegetação, tipo de exploração, raça e idade do animal, e o tipo de pastagem e condições dos animais.

Animais sujeitos a uma criação mais intensiva são forçados a se alimentar sem muita seletividade e próximos aos bolos fecais. Isto faz com que adquiram cargas maiores de vermes, o que, somado ao fator nutricional, leva a uma quebra de imunidade e maiores percentuais de mortalidade. 

Como reconhecer

Todos os animais criados a campo estão sujeitos à verminose, especialmente os mais jovens. Todavia o diagnóstico visual da verminose é muito difícil, a não ser em estágios mais adiantados da doença, em que os animais apresentam emagrecimento, pelos secos e arrepiados, anemia, fraqueza e perda de apetite. Em alguns deles, aparece um aumento de volume sob a mandíbula, chamado no campo de "papeira".

Para a comprovação da verminose, é melhor submeter seu rebanho a exames laboratoriais, que devem ser solicitados ao médico veterinário.

Como tratar

Fazer o uso de vermífugos estrategicamente.

Como evitar

O controle dos vermes na propriedade requer medidas de manejo e principalmente a realização de exame de fezes através do OPGF e coprocultura que detectam os graus de infecção no animal e de infestação nas pastagens e os tipos de vermes presentes, para a aplicação correta de vermífugos (anti-helmínticos).

A aplicação deve obedecer ao controle estratégico, que recomenda vermifugar os bovinos no início da estação seca, meio da seca e início das águas para o gado de corte, e uma quarta aplicação no meio da estação chuvosa para o gado de leite.  Este período coincide, em aproximadamente 60% do território nacional, com os meses de maio/julho/setembro. É importante lançar mão de medidas de manejo, tais como:

Rotações: cultura, pastagens, espécies animal e de princípios ativos;

Nutrição e manejo sanitário corretos;

Tratamento de animais recém adquiridos antes de colocá-los nas pastagens junto com outros animais;

Separação de animais por faixa etária;

Aferir as pistolas dosificadoras;

Aplicar a dose correta, baseando-se no peso do animal, obedecendo as indicações do fabricante do produto;

Eliminação de estercos de maneira correta e sua utilização correta como adubo orgânico;

Água de bebida de boa qualidade;

Evitar superlotação de pastagens;

Seleção genética de animais resistentes; 

Produtos Vinculados: Absolut, Aldazol 10 CO, Centurion, Lancer, Lancer LA, Prontal VP, Ranger, Ranger LA, Ranger LA 3,5%, Ranger Premix


Veja mais


  • 01
  • | Total: 7 items