Doenças


Actinobacilose

Actinobacilose é uma doença infecciosa crônica e granulomatosa, causada por uma bactéria chamada Actinobacillus lignieresii, que afeta os tecidos moles. A bactéria penetra e causa a doença quando há lesão na mucosa da boca, que pode ocorrer por traumatismos por alimentos fibrosos ou grosseiros.

É uma doença que atinge bovinos de qualquer idade, mas pode ocorrer com menor frequência em ovinos, suínos e equinos. As lesões localizam-se principalmente na língua e nos linfonodos da cabeça e do pescoço.

É conhecida como doença da “Língua de Pau” ou “Língua de Madeira”.

Como reconhecer

O animal apresenta: perda de apetite; salivação intensa; dificuldade de mastigar e se alimentar; língua aumentada de volume, dura e dolorida. Podem ser também encontradas lesões nos lábios, palato, faringe, fossas nasais e face, as quais, quando difusas, causam um quadro clínico denominado de “Cara de Hipopótamo”. Neste caso há comprometimento dos linfonodos regionais, os quais se encontram aumentados de volume, duros, frios, inodoros e, às vezes, com presença de pus.

Clinicamente a doença caracteriza-se pela presença de granulomas duros, com conteúdo purulento nos tecidos moles, nas regiões da cabeça e pescoço, principalmente. 

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, sulfas ou estreptomicina, por via intramuscular durante 5 -7 dias, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/12 kg de Peso, por via intravenosa e em dose única. O tratamento apresenta eficácia limitada.

Como evitar

Isolar animais doentes, evitando que haja contaminação de alimentos (pastagem, água, ração) pela secreção das lesões e, evitar a alimentação grosseira que pode causar traumatismos na boca.


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Actinomicose

Actinomicose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria denominada Actinomyces bovis, que acomete bovinos de qualquer idade e outras espécies como ovinos, suínos e equinos. Para a doença ocorrer, este microorganismo patogênico oportunista necessita que haja um traumatismo penetrante ou contundente.

Como reconhecer

Aparecimento de um inchaço duro na boca, geralmente na parte de trás da mandíbula, que aumenta de tamanho lentamente durante meses, mas em alguns casos é de evolução rápida (30 dias); Aparecimento de pus com grumos pequenos (semelhantes a grânulos de enxofre), Dor, Amolecimento e Perda dos dentes, Dificuldade para se alimentar, Emagrecimento progressivo e Perda de peso.

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, preferencialmente, sulfas ou estreptomicina por via intramuscular, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/ 12 kg de peso por via intravenosa em dose única. Entretanto, o tratamento tem eficácia limitada.

Como evitar

Separação de animais doentes do resto do rebanho.


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Berne

Berne é uma ectoparasitose causada pela larva de uma mosca chamada Dermatobia hominis, muito comum no Brasil. Durante o vôo, a mosca adulta do berne põe seus ovos em outra mosca qualquer (moscas vetoras). Estas, ao pousarem no gado, depositam os ovos.

Dentro de alguns minutos esses ovos liberam as larvas, as quais perfuram o couro do animal e permanecem no local durante aproximadamente 35 dias. Após este período, caem no solo e passam por outras transformações, até se tornarem moscas adultas, fechando o ciclo. A população bovina está sujeita a infestações mais intensas durante os períodos de maior temperatura e precipitação pluviométrica.

O berne acarreta prejuízos da ordem de US$ 250 milhões de dólares por ano no Brasil, devido à ação irritante de suas larvas, perda na produção de leite e de carne e danos ao couro. Estima-se que uma infestação média de 20 bernes em um animal, no período de um ano, acarrete uma perda de peso de aproximadamente 20 kg. O berne pode atacar outras espécies animais como: cães, ovelhas, caprinos e inclusive os humanos. No homem, as larvas penetram e formam nódulos, principalmente nas partes mais altas do corpo.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela constatação dos nódulos com as larvas sob a pele. Além disso, ao se movimentarem no couro do animal elas causam dor e irritação que prejudicam o estado geral do animal. Os nódulos podem ser contaminados por bactérias, originando abcessos. 

Como tratar

Os tratamentos são feitos com inseticidas à base de organofosforados na forma de pulverização, banhos de imersão ou aplicação pour-on. Pode-se também optar por tratamentos com produtos endectocidas (avermectinas) pour on ou injetáveis.

Como evitar

Deve-se aplicar o controle estratégico no rebanho bovino, ou seja, a realização de duas aplicações por ano, sendo a primeira no início da estação seca com piretróide na forma de pulverização, imersão ou pour on e a segunda no início das águas, com produtos à base de organofosforados. Estas aplicações visam eliminar principalmente os vetores. 

Outra medida importante de manejo a ser realizada é a limpeza das pastagens (roçada), para evitar a presença da mosca-do-berne, pois é uma característica da mesma ficar em locais sombreados e com temperaturas amenas. O controle da mosca-do-berne deve ser regional e realizado em todas as propriedades vizinhas para ser realmente efetivo. 

Métodos eficientes para o combate desse parasita são: Absolut, Ranger, Ranger LA, Ranger 3,5% LA, Lancer, Lancer LA, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Controller CTO POUR-ON, Unguento Vallée e Valléecid Spray

Produtos Vinculados: Absolut, Controller CTO Pour-On, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Lancer LA, Ranger, Ranger LA 3,5%, Unguento Vallée, Valléecid Spray.

 


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Ceratoconjuntivite em Ovinos e Caprinos

Ceratoconjuntivite infecciosa ovina é uma doença infecciosa e contagiosa caracterizada por inflamação aguda da conjuntiva e córnea, acometendo animais de todas as idades e sexo.

Atualmente considera-se que é causada, principalmente pela bactéria Mycoplasma conjuncitivae, mas diversos outros microrganismos têm sido responsabilizados como agentes da doença. As moscas e outros insetos são os agentes transportadores da bactéria para os animais, sendo a transmissão favorecida pela poeira e pela concentração de animais. 

Como reconhecer

Animais apresentam-se com conjuntivite, lacrimejamento excessivo, fotofobia, descargas oculares purulentas, opacidade e ulceração da córnea, em casos avançados. A gravidade varia de um indivíduo para outro, podendo, inclusive, ambos os olhos quando afetados, apresentarem quadros diversos. 

As perdas econômicas causadas por essa doença estão associadas à perda ou menores ganhos de peso, diminuição da produção de lã e gastos com medicamentos e manejo do rebanho.

Como tratar

Para o tratamento utilizam-se pomadas oftálmicas ou colírios à base de antibiótico como tetraciclinas e tylosina. Entretanto, A cura espontânea ocorre na maioria dos animais. 

Como evitar

Isolar os animais doentes e evitar ferimentos nos olhos dos animais.


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Cetose

A Cetose é uma doença metabólica dos ruminantes que ocorre em consequência de um desequilíbrio energético, com a formação de ácidos graxos por metabolização de gordura que se transformam em corpos cetônicos.

O incremento destes na circulação intoxica o animal e deprime o sistema nervoso central. Geralmente está associada a dois eventos: fêmeas com grande volume abdominal (gêmeos ou crias grandes) e alimentação de má qualidade.

Clinicamente a doença em bovinos (acetonemia) e em ovinos (toxemia da prenhez) ocorre em períodos diferentes do ciclo gestação-lactação, porém o distúrbio que a desencadeia é o mesmo e ocorre em condições de manejo que levam ao estado de balanço nutricional negativo. A Cetose em bovinos é conhecida como Acetonemia e em ovinos como Toxemia da Prenhez.

A doença ocorre pelo aumento das necessidades de glicose no organismo ou pela diminuição brusca da ingestão de carboidratos. Ocorre em vacas de alta produção leiteira em regime de confinamento, geralmente no primeiro mês após o parto quando os animais estão em ótimas condições corporais e são alimentados com rações de boa qualidade. 

Em bovinos de corte, ocorre no terço final de gestação de novilhas e de vacas falhadas, que por não terem tido cria no ano anterior, apresentam-se em ótimo estado nutricional no início da seca, sendo a doença desencadeada pela súbita restrição alimentar a que são submetidas e pela escassez de forragem que normalmente ocorre. Em ovelhas, a enfermidade ocorre principalmente naquelas gestantes de dois fetos, criadas em sistema intensivo, usualmente no último mês da gestação, sendo desencadeada por curtos e súbitos períodos de restrição alimentar a que são submetidas, principalmente por erros de manejo. 

A mudança de alimentação no final da gestação, mesmo que de boa qualidade, pode desencadear surtos porque os animais deixam de se alimentar em consequência da falta de costume com o novo tipo de alimento. A exposição ao mau tempo pode também aumentar a incidência da doença, uma vez que os animais tendem a ficar mais tempo à procura de abrigo do que se alimentando.

Fatores que levam ao estresse, como tosquia, dosificações de medicamentos, transporte, mudanças no ambiente e confinamento de animais não acostumados, realizados no final da gestação, podem induzir ao aparecimento da doença. A doença nessa espécie é altamente fatal, com letalidade próxima dos 100%. Pode ocorrer, também, em novilhas e vacas de corte no terço final de gestação, principalmente no último mês.

Como reconhecer

Em vacas leiteiras de alta produção: debilidade, perda de apetite, queda na produção de leite por 2-4 dias, perda de peso rápida, depressão e, às vezes, sintomas nervosos. Em vacas de corte prenhes: hiperexcitabilidade, agressividade, atitude de alerta, tremores musculares, incoordenação com ataxia dos membros posteriores, dificuldade respiratória, corrimento nasal seroso, diminuição dos movimentos ruminais, constipação com fezes de consistência aumentada, decúbito esternal permanente após 1-4 dias do início dos sintomas. Se não houver tratamento, os animais morrem em 3-7 dias após o início dos sintomas. A maioria dos animais tratados antes de apresentar decúbito permanente consegue se recuperar.

Em ovelhas: os sinais clínicos são da forma nervosa. Geralmente os surtos prolongam-se por algumas semanas, adoecendo poucos animais a cada dia. No início as ovelhas separam-se do restante do rebanho, apresentam cegueira, permanecem em alerta, porém, sem se movimentar. Quando são forçadas a andar, batem em obstáculos ou pressionam a cabeça contra os mesmos, apresentam constipação e fezes secas. Em estágios mais avançados, apresentam tremores musculares, salivação, desvio lateral da cabeça, andar em círculos, decúbito e convulsões. Podem levantar após as convulsões assumindo uma posição característica de olhar as estrelas. O decúbito permanente dura 3-4 dias após o início dos sintomas, permanecendo em profunda depressão até a morte.

O curso clínico pode variar de 2-7 dias, sendo mais rápido nos animais muito gordos. O diagnóstico é realizado pela epidemiologia, sinais clínicos e pela determinação de corpos cetônicos na urina ou no soro.

Como tratar

Vacas e novilhas de corte e leite: o uso de medicamentos que aumentam a glicemia e restabelecem o apetite e a ingestão de alimentos pode ser eficiente na recuperação dos animais. A administração intravenosa de 500 mL de solução de glicose a 50% em dose única pode recuperar rapidamente os animais, porém, em muitos casos, a medicação deve ser repetida várias vezes. A administração de 10 mg de dexametasona produz estado hiperglicêmico por 4-6 dias em animais doentes. Anabolizantes têm sido recomendados com sucesso no tratamento da doença.

Em ovelhas: a doença é altamente fatal e só respondem ao tratamento se for realizado no início dos sinais clínicos. O tratamento intravenoso com 5-7g de glicose deve ser acompanhado de solução isotônica de bicarbonato de sódio ou solução de Ringer com lactato.

Como evitar 

Vacas e novilhas de corte que estão na primeira fase da doença podem se recuperar quando são transferidas para pastagens de melhor qualidade ou quando são suplementadas com feno e melaço. A prevenção é realizada evitando-se colocar animais no final de gestação que estão em boas condições nutricionais em áreas com pouca disponibilidade de forragem.  Em vacas de alta produção leiteira evita-se a doença fornecendo-lhes nutrição adequada durante a lactação e no período seco.

Em ovelhas, as recomendações são as mesmas para os bovinos, porém preconiza-se melhora da nutrição principalmente na metade final da gestação. Devem-se evitar o estresse por manejo constante, tosquia, dosificações e transporte, bem como mudanças no tipo de alimentação no terço final da gestação. Alimentação extra e abrigos nos potreiros onde os animais permanecem durante a parição devem ser oferecidos durante invernos muito rigorosos. 

Produtos Vinculados: Dexamax, Rumefort.


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Dermatofilose

É um processo infeccioso da pele que acomete bovinos, ovinos, caprinos, equídeos, cães e até o homem, causado por uma bactéria denominada Dermatophilus congolensis que se caracteriza por uma dermatite exsudativa, com erupções cutâneas crostosas e escamosas.

Também é conhecida por estreptotricose cutânea, “Mela” ou “Chorona”.A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose. 

Fatores estressantes como desmama, carência alimentar ou traumatismos por manejo inadequado, associados com períodos chuvosos e quentes, podem desencadear a doença por quebrarem a integridade da pele. A forma de surtos ocorre principalmente na época chuvosa e geralmente está associada a pastagens de Brachiaria decumbens ou Brachiaria brizantha, as quais, através de suas folhas ásperas, provocam microlesões na pele dos animais.

Acomete bovinos de todas as idades, mas os mais jovens são mais propensos.

Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto, indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. 

Como reconhecer

Aparecimento de lesões em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço. A doença normalmente é descoberta pela presença de elevações abaixo do pelo. As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pelo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados. Em estágios mais avançados, a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas pelos pelos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pelos. Nos estágios finais, há perda intensa de pelos, com formação de casca acentuada e pregueamento. Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham com barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso. A reinfecção pode ocorrer principalmente em animais jovens.

Como tratar 

Os antibióticos injetáveis constituem-se no tratamento mais eficaz para controle da dermatofilose. A penicilina ou a estreptomicina são recomendadas em dois tipos de tratamento, ou em uma única aplicação em altas doses (70.000 UI/kg PV de penicilina ou 70 mg/kg PV de estreptomicina), ou em doses diárias (5.000 UI/kg PV ou 5 mg/kg PV, respectivamente) durante cinco dias. A oxitetraciclina também pode ser usada no controle de surtos da doença na dose de 20 mg/kg PV. 

As aplicações tópicas geralmente são pouco recomendadas por conta das dificuldades do produto em atingir as camadas mais profundas da pele. Alguns produtos podem ser utilizados, sendo recomendada a remoção das crostas antes da aplicação. Contudo, não se deve esperar por uma boa resposta ao tratamento tópico, principalmente se as condições do meio ambiente são adequadas para a disseminação da doença. Em termos gerais, os melhores resultados são obtidos durante o tempo quente e seco. 

Quando um grande número de animais é afetado podem ser recomendados banhos de imersão ou aspersão com sulfato de zinco ou de cobre na concentração de 0,2%-0,5%. 

Como evitar

Realizar o isolamento e tratamento imediato dos animais afetados assim que forem observadas as primeiras lesões, juntamente com a desinfecção do local e dos utensílios utilizados no manejo destes animais. Manter os animais em bom estado corporal auxilia na resistência imunológica e na prevenção das doenças.


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Dermatomicose

É uma dermatite localizada, infectocontagiosa, de caráter crônico, causada pela invasão da pele e pelos por fungos, conhecidos como dermatófitos, que é caracterizada por descamação e perda de pêlos.Também conhecida pelo nome de "tinha", dermatofitose ou tricofitose. 

É uma doença de distribuição mundial, comum em regiões de clima tropical e temperado, particularmente em áreas quentes e úmidas, acometendo bovinos, ovinos, equinos, suínos, cães, gatos, aves, animais silvestres e humanos de qualquer idade, sendo os animais jovens os mais sensíveis. 

As perdas econômicas causadas pela dermatomicose são baixas, uma vez que a infecção é superficial e restrita à pele, mas a inquietação decorrente do prurido pode resultar em diminuição nas taxas de ganho de peso e crescimento. 

O meio de contaminação mais comum é o contato direto entre animais infectados e animais sadios, embora os esporos possam estar presentes em cercas, postes, cochos etc.

Como reconhecer

Aparecimento de lesões na cabeça, pescoço e no períneo, podendo se alastrar para outras regiões e envolver grandes áreas do corpo do animal, as quais são circulares, circunscritas, medindo de 1 a 3 cm de diâmetro, podendo estar desprovidas de pelos ou cobertas por crosta de coloração acinzentada ou amarronzada, que se projetam ligeiramente acima da pele. A superfície abaixo da crosta é úmida e hemorrágica nos estágios iniciais, mas, quando as cascas caem, a lesão está seca e desprovida de pelos. Prurido não é comum, embora frequentemente os animais apresentem sinais de irritação. Em casos mais severos, particularmente em bezerros e animais jovens, a lesão tende a coalescer e a pele torna-se espessa e pregueada. 

O curso da doença é de aproximadamente quatro meses. Animais recentemente recuperados apresentam resistência temporária à reinfecção. 

Como tratar

Existem dúvidas quanto à validade do tratamento para a dermatomicose em bovinos, visto que a doença é normalmente autolimitante e a recuperação espontânea é comum. O tratamento, se bem executado, terá como objetivo reduzir a extensão das lesões e limitar a disseminação da doença, através da redução da contaminação ambiental. 

Muitos tipos de tratamentos tópicos podem ser usados, mas para uma maior eficácia, todos devem ser precedidos da retirada das crostas, com auxílio de escova de cerdas e água morna. As soluções devem ser esfregadas com intensidade nas lesões, sobretudo nas regiões periféricas. Aplicações de soluções fracas de iodo (1-2%), a cada 1-2 dias, têm alcançado bons resultados. Alguns produtos têm se mostrado auxiliares ao tratamento em função de seu efeito imunoestimulante como o levamisole. 

Em rebanhos onde a infecção atinge um grande número de animais, o tratamento deve ser feito à base de pulverizações ou banhos. O Captan® (N-triclometil-mercapto-4-ciclo-hexeno-1,2-dicarboxamida), fungicida de uso agrícola tem sido recomendado como um dos produtos mais eficazes para este tipo de uso. A dosagem recomendada é de 1:300-400, utilizando-se de 4-7 litros da calda por animal em dois tratamentos com intervalo de duas semanas entre eles. 

Como evitar

É preciso adotar medidas de controle como o isolamento de animais doentes, desinfecção de materiais e instalações. Uma dieta correta, com suplementação adequada, principalmente de vitamina A, para animais jovens em confinamento, pode ser considerada como uma medida auxiliar, visto que a susceptibilidade à infecção é maior nos animais subnutridos.


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Diarréias

Apesar do aprimoramento das técnicas de manejo e das estratégias de prevenção e tratamento, as diarreias continuam sendo o problema mais comum e oneroso que afeta os bezerros nas fases iniciais da vida.

Todo criador sabe da importância das diarreias de bezerros sobre a lucratividade da empresa rural. Além das perdas imediatas, geram prejuízos econômicos expressivos atribuídos à perda de animais por morte ou descarte precoce, redução no ganho de peso e crescimento, mão-de-obra para manejar os bezerros doentes, custos dos medicamentos e com honorários do Médico Veterinário.

A crescente tendência de intensificação dos sistemas de produção visando obter maior lucratividade tem causado aumentos significativos na incidência destas doenças.

As diarreias são doenças complexas e multifatoriais, que envolvem o animal, o ambiente, a nutrição e os agentes infecciosos. A ocorrência da doença depende da relação entre a condição imunológica dos bezerros e a carga infectante a qual eles estão submetidos. Vale lembrar que os bezerros com menos de 30 dias de vida ainda são altamente dependentes da imunidade passiva, recebida na colostragem, e que uma alta porcentagem dos bezerros (aproximadamente 40%) apresenta falhas na transmissão desta.

Diarreia não é uma doença por si só. Na verdade ela é um sintoma, um sinal comum a diversas doenças. Na prática, não é fácil determinar com exatidão qual doença está acometendo um animal com diarreia, até porque, muitas vezes, mais de um agente está envolvido simultaneamente. De qualquer maneira, uma grande quantidade de bactérias (Escherichia coli, Salmonella spp.), vírus (Rotavirus, Coronavirus), protozoários (Eimeria spp., Cryptosporidium sp.) e helmintos estão envolvidos nos quadros de diarreia.

É importante lembrar que infecções mistas, com dois ou mais patógenos envolvidos, são muito mais comuns que infecções por um único agente, e que os patógenos que são problema em uma propriedade podem mudar a cada ano. Além disso, em muitos casos um problema nutricional não detectado pode estar combinado com agentes infecciosos.

O principal fator predisponente para o aparecimento das diarreias é a falha na transmissão da imunidade passiva, entretanto, por ser uma doença multifatorial, as interrelações animal-ambiente assumem uma importância fundamental e interferem no desenvolvimento da resposta imune. Destacam-se as seguintes condições como predisponentes:

Higiene: instalações e utensílios em condições sanitárias precárias, alta densidade e falta de agrupamento de animais por faixas etárias, baixa qualidade da água. 

Nutrição: dietas que não atendem aos requisitos nutricionais, fornecimento de leite em quantidade e intervalo de tempo incorretos, sucedâneos do leite de baixa qualidade nutricional, alimentos mofados ou deteriorados. 

Outras doenças concomitantes: principalmente infecções respiratórias e umbilicais. 

A tabela apresenta a distribuição dos principais agentes causadores de diarréia, de acordo com a idade dos bezerros:

Agente Idade (dias)

E. coli enterotoxigênica < 3

Coronavírus 05 - 21

Rotavírus 05 - 15

Salmonella 05 - 42

Criptosporidium 05 - 35

Eimeria > 20

Helmintos > 15

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003)

Rotavírus é a causa mais comum de diarreia em bezerros recém-nascidos, entretanto, infecções por Coronavírus e por E. coli enterotoxigênica apresentam maiores taxas de mortalidade, tornando maior o seu impacto econômico.

Diarreia de origem nutricional também pode ocorrer. O bezerro jovem é extremamente limitado em termos de digestão de nutrientes durante as 3 primeiras semanas de vida e este fato está diretamente relacionado à ausência e inatividade de algumas enzimas digestivas. A atividade da maior parte destas enzimas aumenta a partir da 3ª semana de vida, permitindo a utilização de maior diversidade de ingredientes na formulação das dietas. Sucedâneos do leite contendo alta inclusão de proteínas de origem láctea asseguram os melhores desempenhos das bezerras até 30 dias de vida devido, principalmente, à maior digestibilidade, excelente perfil de aminoácidos e inexistência de fatores anti-nutricionais. 

A ocorrência de diarreias em bezerros jovens é frequentemente súbita e aguda. Os animais tornam-se rapidamente desidratados, embora os sinais clínicos possam ser pouco perceptíveis. A avaliação da quantidade de água perdida é importante para determinação da estratégia de reidratação. Os animais com diarreia tornam-se rapidamente desidratados, com perdas potenciais de 6 a 12% do volume de seus fluidos corporais em apenas um dia.

Como reconhecer

Grau de desidratação e sinais clínicos associados

Perda de água corporal (%) Sinais Clínicos

0 - 5 Leve depressão e diminuição no volume urinário

6 - 8 Olhos fundos, perda de elasticidade da pele, depressão, bocas e narinas ressecadas, maior redução no volume urinário.

9 - 11 Sinais clínicos listados mais pronunciados, extremidades frias, animal em decúbito.

12 - 14 Choque e morte.

Adaptado de FISHER & MARTINEZ (1975)

Como tratar

A chave para o sucesso no tratamento das diarreias é a rápida detecção do problema e intervenção imediata, com administração de uma solução bem balanceada para reidratação oral contendo eletrólitos e nutrientes. Se a reidratação for feita logo no início da diarreia, a taxa de sucesso do tratamento pode chegar a 95% ou mais. Por muitos anos, recomendou-se a suspensão do fornecimento de leite ou sucedâneo, aos primeiros sinais de diarreia. Felizmente, esta prática está sendo abolida, pois priva os animais de sua principal fonte de nutrientes e água. A recuperação dos bezerros é acelerada quando a dieta líquida está associada à hidratação oral, pois ocorre uma diminuição na perda de peso dos animais. A tabela abaixo mostra um exemplo de solução para hidratação oral, que tem apresentado excelentes resultados a campo.

Solução eletrolítica utilizada para hidratação oral de bezerros

Ingrediente Quantidade (g)

Cloreto de Sódio 5,0

Cloreto de Potássio 1,0

Bicarbonato de Sódio 4,0

Glicose 20,0

Água 1 litro

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003).

Esta fórmula pode ser utilizada em todos os tipos de diarreia. A hidratação oral pode ser feita com sucesso até 8% de desidratação. Acima disso, deve-se avaliar o potencial de retorno econômico do animal antes de instituir tratamentos onerosos. Nestes casos, o déficit deve ser corrigido por via intravenosa, continuando posteriormente com a hidratação oral. A quantidade de fluido a ser administrada por bezerro deve ser calculada da seguinte forma:

Déficit = peso vivo x % desidratação

Mantença = 50 a 100ml/Kg PV

Perdas antecipadas = 50ml/Kg de PV

A quantidade total deverá ser fornecida aos bezerros num período de 24h. A solução não deve ser administrada junto com a dieta líquida, respeitando-se um intervalo de 2h, para não haver interferências na digestão. Bezerros com menos de 30 dias de vida não digerem sacarose (açúcar comum), portanto, não se deve utilizá-la em substituição à glicose.

A antibioticoterapia deve ser utilizada em quadros em que os animais apresentarem febre e depressão severa. 

Como evitar

Existem quatro metas principais de um manejo efetivo para prevenção de diarreias:

Fornecimento de colostro de alta qualidade e em quantidades adequadas o mais rápido possível após o nascimento dos bezerros; 

Redução do estresse e do desafio infeccioso dos animais, propiciando-lhes instalações limpas, secas, bem dimensionadas e higienizadas com acesso fácil à água de boa qualidade física e microbiológica; 

Fornecimento de dietas balanceadas para suprir os requisitos nutricionais, assegurando que os bezerros estejam saudáveis e mais resistentes às doenças; 

Observações frequentes dos animais para assegurar tratamentos rápidos e adequados aos doentes. 

Produtos Vinculados: Antidiarréico, Oxitrat-LA, Vetflogin


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Ectima contagioso

É uma doença infecciosa contagiosa causada por vírus, que acomete ovinos e caprinos e ocorre com mais freqüência nos animais jovens podendo, entretanto, atingir também os adultos. é caracterizada pelo aparecimento de crostas na boca, podendo estender-se ao focinho, orelhas, pálpebras e raramente ao aparelho genital e coroa dos cascos. é conhecida também por Dermatite Pustular Contagiosa ou Boqueira.

A transmissão pode ocorrer por contato direto ou indireto. O vírus pode persistir por vários anos nas pastagens ou instalações.

Como reconhecer

O primeiro sinal é o aparecimento de manchas vermelhas que se transformam em vesículas e depois de 2 a 3 dias em pústulas que se rompem e secam formando uma crosta escura semelhante a verruga. Depois de 10 dias estas crostas caem deixando a pele sujeita a infecções secundárias.

Além dos lábios, pode haver formação de pústulas na gengiva, narinas, úbere e em outras partes do corpo. Os lábios ficam engrossados, sensíveis e os cabritos têm dificuldade de se alimentar, emagrecendo rapidamente. 

Como tratar

A infecção é em geral autolimitante. Nas vesículas deve-se passar glicerina iodada e pomadas cicatrizantes diariamente até que elas sequem. é muito importante isolar os animais. O tratador deve se precaver utilizando luvas no momento de cuidar dos animais.

Como evitar

É prevenida pela manutenção do rebanho isento do vírus, mediante a não introdução de animais infectados. 

A vacinação deverá ser feita em todo rebanho, e em todos os cordeiros nascidos após dois meses de vida, e deve ser aplicada por via cutânea, fazendo-se uma pequena escarificação na parte interna da coxa.


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Febre Aftosa

É uma doença infecto-contagiosa de notificação obrigatória. No Brasil é causada pelos vírus “A”, “O” e “C”, os quais se espalham facilmente e rapidamente, ultrapassando barreiras geográficas. Acomete todos os animais domésticos biungulados (duas unhas): bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos, além dos animais selvagens, como: veados, capivaras, porcos do mato, etc. 

É transmitida através de: contato direto de animais sãos com os animais doentes; utensílios contaminados (mãos, roupas, calçados, baldes, cordas, cabrestos, etc.); veículos que transportam animais; água contaminada; cochos e pastos que foram utilizados por animais doentes. A saliva de animais doentes não é a única fonte de vírus para o ambiente, mas com certeza é a mais potente. 

Suas consequências são desastrosas para todos, pois ocorre diminuição da produção e produtividade na ordem de 25%, abate de todos os animais na área de foco (doentes e sadios), fechamento das exportações de animais e de todos os produtos e subprodutos de origem animal.

Hoje a palavra de ordem é erradicar, acabar com essa doença e, erradicar a aftosa no país é tão possível quanto necessário. Acabar com a aftosa será o maior passo da pecuária brasileira em direção às criações altamente tecnificadas.

As vacinas produzidas no Brasil passam por um controle rígido do governo e dos laboratórios. Em busca da qualidade das vacinas, os laboratórios fizeram com que os pecuaristas tivessem à disposição as vacinas mais cuidadosamente produzidas no mundo. O importante é aplicá-las e aplicá-las corretamente.

Como reconhecer 

O animal doente apresenta-se abatido, com febre, pelos arrepiados e feridas (aftas) na língua, gengivas, úbere e entre as unhas, baba muito e tem dificuldade para se alimentar.

Como tratar

Não existe tratamento para a febre aftosa. Onde ela ocorre, os animais da propriedade afetada e no seu entorno deverão ser sacrificados, tanto os doentes como os sadios.

Como evitar

O combate à aftosa é uma questão de consciência. A erradicação na sua propriedade e no país vai acontecer quando duas medidas básicas se tornarem automáticas: vacinação e vigilância sanitária.

Esquema de vacinação: 

1ª DOSE: realizar a primeira dose até os 4 meses de idade. 

2ª DOSE: reforço 90 dias após a 1ª dose.

Revacinar todos os animais a cada 6 meses. 

Outros esquemas de vacinação poderão ser adotados a critério das autoridades sanitárias e sob a responsabilidade delas. A Vigilância Sanitária é uma função do governo, mas na realidade a responsabilidade é rigorosamente de todos. 

Quando o assunto é febre aftosa não adianta apenas saber da época da campanha de vacinação. É preciso participar, estimular os vizinhos, cooperar com o governo vacinando todo o rebanho e colocando em prática as normas sanitárias.

Respeite os controles de fronteiras, não entre no “conto da nota fria”, não jogue vacina fora e não deixe de vacinar. O país agradece e você leva o lucro.

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