Doenças


Acidente Ofídico (Picada de Cobra)

O Acidente Ofídico é o envenenamento de homens e animais pela picada de cobras venenosas através da injeção de suas toxinas (veneno). 

Noventa por cento dos casos de acidentes com picada de cobra em bovinos no país são provocados por serpentes venenosas do grupo botrópico: jararaca, jararacuçu, caiçara, urutu, cotiara e cruzeira. Espalhadas pelo Brasil inteiro, causam problemas difíceis de se lidar no dia-a-dia da empresa rural. Com uma frequência menor, mas não menos grave, estão os acidentes com cascavel do grupo crotálico (cerca de 9% dos casos). A cobra-coral, do grupo micrurus, raramente cria caso com bovinos (apenas 1% dos casos).

Mais raros ainda, mas que podem ocorrer, são os casos de picada de surucucu, de pico de jaca e surucutinga, todas do grupo laquésico. Acontecem de quando em quando, em algumas regiões do Brasil, principalmente na região Norte.

Muitos casos de morte de animais que ocorrem em todo o Brasil, principalmente bovinos e equinos, ainda são considerados culpa das cobras. Entretanto já se sabe que isso não é verdade. Precisamos diagnosticar as mortes, através de um veterinário, porque muitas doenças matam rapidamente e com características de envenenamento por cobras como manqueira e intoxicação por plantas. Por isso precisamos saber o que realmente está acontecendo, para tomarmos as medidas corretas de prevenção. 

Como reconhecer

Cada tipo de cobra provoca um tipo de sintoma. Como 90% dos casos são picadas de cobras do tipo da jararaca (grupo botrópico), é aconselhável memorizar os sintomas por elas provocados.

No caso dos bovinos é raro presenciar o momento da picada. O principal sinal é um inchaço no ponto da picada, frequentemente nas patas. Marcas deixadas pelos dentes da cobra nem sempre são visíveis. Dependendo da quantidade de veneno injetado pela cobra, esse inchaço pode se espalhar e, com a evolução, causar necrose local do tecido e o aparecimento de grandes feridas. Quando as lesões são muito extensas, a dor forte deixa os animais abatidos e sem apetite. 

As picadas de cascavel e cobra-coral, todavia, não provocam esse quadro. Não há sinais no local da picada. Nota-se uma perturbação geral do animal, que se apresenta inicialmente agitado e, em seguida, abatido, podendo chegar até a inconsciência. Hemorragias podem ocorrer em acidentes com cascavéis.

Como tratar

Antes de pensar em qualquer tipo de tratamento, o importante é lembrar de não amarrar o membro atingido, nem aplicar qualquer tipo de garrote. Essa prática é muito comum, mas apenas agrava mais ainda as lesões da picada. Da mesma forma, não se deve cortar ou abrir a ferida e muito menos sugar ou aspirar no ponto de lesão. Os animais acometidos devem ser mantidos em um local isolado, em repouso. A única terapia efetiva é o soro antiofídico.

Existem vários tipos de soros antiofídicos, um para cada tipo de cobra. O soro antibotrópico é o mais importante para se ter em estoque, devido a sua alta incidência em bovinos (90%). Caso a ocorrência de picadas por cascavel seja freqüente convém ter também o soro anticrotálico. Existem ainda soros polivalentes. Tratamento de suporte ou sintomático também pode auxiliar, dependendo do caso.

Como evitar

Não é possível pensar em diminuir a população de cobras em uma fazenda, até porque elas participam de um delicado equilíbrio ecológico, mantendo sob controle as populações de ratos e outros roedores. Assim, é importante que toda fazenda tenha uma boa quantidade de soro antiofídico em estoque. Convém sempre checar a data de validade do soro e assegurar-se de que sejam mantidos sob refrigeração.

No caso do homem, o uso de botas diminui significativamente a ocorrência de casos de picadas de cobra.


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Actinobacilose

Actinobacilose é uma doença infecciosa crônica e granulomatosa, causada por uma bactéria chamada Actinobacillus lignieresii, que afeta os tecidos moles. A bactéria penetra e causa a doença quando há lesão na mucosa da boca, que pode ocorrer por traumatismos por alimentos fibrosos ou grosseiros.

É uma doença que atinge bovinos de qualquer idade, mas pode ocorrer com menor frequência em ovinos, suínos e equinos. As lesões localizam-se principalmente na língua e nos linfonodos da cabeça e do pescoço.

É conhecida como doença da “Língua de Pau” ou “Língua de Madeira”.

Como reconhecer

O animal apresenta: perda de apetite; salivação intensa; dificuldade de mastigar e se alimentar; língua aumentada de volume, dura e dolorida. Podem ser também encontradas lesões nos lábios, palato, faringe, fossas nasais e face, as quais, quando difusas, causam um quadro clínico denominado de “Cara de Hipopótamo”. Neste caso há comprometimento dos linfonodos regionais, os quais se encontram aumentados de volume, duros, frios, inodoros e, às vezes, com presença de pus.

Clinicamente a doença caracteriza-se pela presença de granulomas duros, com conteúdo purulento nos tecidos moles, nas regiões da cabeça e pescoço, principalmente. 

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, sulfas ou estreptomicina, por via intramuscular durante 5 -7 dias, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/12 kg de Peso, por via intravenosa e em dose única. O tratamento apresenta eficácia limitada.

Como evitar

Isolar animais doentes, evitando que haja contaminação de alimentos (pastagem, água, ração) pela secreção das lesões e, evitar a alimentação grosseira que pode causar traumatismos na boca.


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Actinomicose

Actinomicose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria denominada Actinomyces bovis, que acomete bovinos de qualquer idade e outras espécies como ovinos, suínos e equinos. Para a doença ocorrer, este microorganismo patogênico oportunista necessita que haja um traumatismo penetrante ou contundente.

Como reconhecer

Aparecimento de um inchaço duro na boca, geralmente na parte de trás da mandíbula, que aumenta de tamanho lentamente durante meses, mas em alguns casos é de evolução rápida (30 dias); Aparecimento de pus com grumos pequenos (semelhantes a grânulos de enxofre), Dor, Amolecimento e Perda dos dentes, Dificuldade para se alimentar, Emagrecimento progressivo e Perda de peso.

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, preferencialmente, sulfas ou estreptomicina por via intramuscular, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/ 12 kg de peso por via intravenosa em dose única. Entretanto, o tratamento tem eficácia limitada.

Como evitar

Separação de animais doentes do resto do rebanho.


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Berne

Berne é uma ectoparasitose causada pela larva de uma mosca chamada Dermatobia hominis, muito comum no Brasil. Durante o vôo, a mosca adulta do berne põe seus ovos em outra mosca qualquer (moscas vetoras). Estas, ao pousarem no gado, depositam os ovos.

Dentro de alguns minutos esses ovos liberam as larvas, as quais perfuram o couro do animal e permanecem no local durante aproximadamente 35 dias. Após este período, caem no solo e passam por outras transformações, até se tornarem moscas adultas, fechando o ciclo. A população bovina está sujeita a infestações mais intensas durante os períodos de maior temperatura e precipitação pluviométrica.

O berne acarreta prejuízos da ordem de US$ 250 milhões de dólares por ano no Brasil, devido à ação irritante de suas larvas, perda na produção de leite e de carne e danos ao couro. Estima-se que uma infestação média de 20 bernes em um animal, no período de um ano, acarrete uma perda de peso de aproximadamente 20 kg. O berne pode atacar outras espécies animais como: cães, ovelhas, caprinos e inclusive os humanos. No homem, as larvas penetram e formam nódulos, principalmente nas partes mais altas do corpo.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela constatação dos nódulos com as larvas sob a pele. Além disso, ao se movimentarem no couro do animal elas causam dor e irritação que prejudicam o estado geral do animal. Os nódulos podem ser contaminados por bactérias, originando abcessos. 

Como tratar

Os tratamentos são feitos com inseticidas à base de organofosforados na forma de pulverização, banhos de imersão ou aplicação pour-on. Pode-se também optar por tratamentos com produtos endectocidas (avermectinas) pour on ou injetáveis.

Como evitar

Deve-se aplicar o controle estratégico no rebanho bovino, ou seja, a realização de duas aplicações por ano, sendo a primeira no início da estação seca com piretróide na forma de pulverização, imersão ou pour on e a segunda no início das águas, com produtos à base de organofosforados. Estas aplicações visam eliminar principalmente os vetores. 

Outra medida importante de manejo a ser realizada é a limpeza das pastagens (roçada), para evitar a presença da mosca-do-berne, pois é uma característica da mesma ficar em locais sombreados e com temperaturas amenas. O controle da mosca-do-berne deve ser regional e realizado em todas as propriedades vizinhas para ser realmente efetivo. 

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Bicheira

Bicheira é a designação usual e popular da doença que cientificamente recebe o nome de miíase cutânea. Esta enfermidade é caracterizada pela infecção da pele dos animais por uma grande quantidade de larvas da mosca chamada Cochliomyia hominivorax. 

As fêmeas destas moscas depositam seus ovos sobre as feridas e, depois de aproximadamente um dia de incubação, surgem as larvas. Depois de maduras, as larvas caem no solo e passam por transformações até chegar à forma adulta e iniciar um novo ciclo. 

As larvas da mosca da miíase invadem apenas tecidos vivos, ou seja, feridas expostas dos animais e também dos humanos, produzindo graves lesões. Essas lesões que são as miíases primárias são também chamadas de traumáticas, podendo aparecer ainda as secundárias, que são causadas por larvas que se alimentam de tecidos já necrosados. 

As bicheiras são mais abundantes durante os meses mais quentes do ano, como os de verão, coincidentemente com os maiores períodos de chuvas. Nesse período uma alta população da mosca causadora das bicheiras encontra-se nos arredores das florestas, locais onde se concentram os bovinos e animais silvestres.

Os prejuízos à pecuária brasileira associados às miíases são estimados em US$ 150 milhões de dólares anuais. Estes prejuízos são decorrentes da diminuição da produtividade, gastos com tratamentos, danos ao couro e dependendo da localização e extensão das feridas parasitadas, até da morte dos animais.

Como reconhecer

Os sintomas são claros: caracterizam-se por uma ferida aberta com mau cheiro, com sangramentos e presença das larvas no local, ocorrendo necrose dos tecidos e, como consequência posterior, a possibilidade de retardamento do processo cicatricial.

Em lesões mais graves, o animal tem a sua vitalidade reduzida, podendo ocorrer a perda das funções dos tecidos lesionados. Nos ferimentos causados pelas bicheiras ocorrem invasões de microorganismos diversos, levando ao aparecimento de uma infecção purulenta, que piora o caso clínico do animal. Estas são as infecções secundárias causadas por bactérias.

As larvas da miíase são diferentes das larvas do berne: são bem menores e podem ser encontradas em grande número numa lesão, ao contrário dos bernes, que se instalam um a um.

As lesões em que as larvas se encontram não cicatrizam e, com isso, atrairão mais fêmeas adultas da mosca, que depositarão mais ovos, agravando progressivamente o quadro. Em função da rapidez da evolução da doença, bastam apenas poucos dias para que o animal apresente-se severamente afetado, muitas vezes de forma irreversível. Animais com extensas áreas do corpo tomadas pelas larvas emagrecem muito, ficam apáticos e com febre, podendo inclusive vir a morrer.

O diagnóstico é feito pela observação das larvas das moscas nos ferimentos abertos causados por amputação da cauda, castração, cortes com arame farpado, umbigo de animais recém-nascidos, áreas lesadas por picadas de carrapatos, ferimentos por plantas espinhosas, etc. Essas feridas apresentam um cheiro de podre, tecidos necrosados e sangramentos. 

Como tratar

Para o tratamento curativo das miíases são utilizados produtos organofosforados na forma líquida, pó, pasta, "spray" ou produtos injetáveis à base de avermectinas.

A forma mais eficiente de se tratar uma bicheira é colocar o produto inseticida na lesão com posterior remoção das larvas mortas. Uma característica da mosca da bicheira é colocar os ovos de dentro para fora da lesão, ficando na forma de camadas (interna, média e superficial), por isso, deve-se fazer a retirada das larvas para que se possa atingir as camadas mais profundas, fazendo com que o medicamento funcione corretamente. 

A utilização de antibióticos pode ser necessária para o tratamento de infecções secundárias.

Como evitar

Evita-se a enfermidade através do controle estratégico da mosca, ou seja, realizando dois tratamentos por ano. O primeiro no início da estação seca, com produtos à base de piretróides na forma de pulverização, imersão ou "pour on"; o segundo, no início da estação chuvosa, com produtos à base de organofosforados. 

Para o controle efetivo da mosca da miíase, essas aplicações devem ser regionais, ou seja, realizadas por todos os proprietários da área a ser controlada. Produtos endectocidas (avermectinas) também previnem as bicheiras.

Outras medidas preventivas importantes dentro de uma propriedade são o manejo correto dos animais, das pastagens e das instalações. Ao encontrar um animal com bicheira, este deve ser tratado imediatamente, evitando que se crie uma condição favorável que atraia as moscas. 

Medidas de como evitar ferimentos desnecessários devem ser tomadas e, se acontecer o ferimento, a sua assepsia tem que ser imediata. Fazer rodeio constante dos animais para uma inspeção de ocorrência de ferimentos. O umbigo dos bezerros recém-nascidos deve ser curado imediatamente após o nascimento. Não utilizar ferrão para o manejo dos animais. Fazer cercas de arame liso. Ter cuidado com marcação a ferro quente, fazendo-a nos locais corretos e evitando os dias de chuvas intensas.

 

 

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Carrapatose

Carrapatose é uma das parasitoses mais importantes que afetam os rebanhos brasileiros é a carrapatose, que causa enormes prejuízos ao produtor e grande desconforto para os animais, prejudicando o seu desenvolvimento e produção.

Em geral, cada carrapato tem afinidade com o hospedeiro que parasita, por exemplo, a espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus é parasita dos bovinos, o Rhipicephalus sanguineus tem predileção pelos canídeos e o Amblyomma cajennense parasita os equídeos. Entretanto, o A. cajannense não é tão específico como o Boophilus sp. e o Rhipicephalus sp., podendo parasitar muitos hospedeiros, incluindo os bovinos e o homem. 

Carrapato do bovino

O que é

No Brasil, a espécie Rhipicephalus microplus, ocorre em praticamente todas as regiões, devido às condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. Esses ácaros causam muitos prejuízos aos seus hospedeiros, por ação direta espoliadora de ingestão de sangue ou por lesões na pele dos animais, nos locais de sua fixação. Neste último caso, facilita a instalação de miíases (bicheiras) e podem servir de porta de entrada para bactérias que infeccionam o local, e conseqüentemente ocorre a desvalorização do couro pelas imperfeições que apresenta. Causa perda de apetite em função da irritação, anemia e transmite doenças como a Tristeza Parasitária.

São também responsáveis por elevados custos indiretos com produtos carrapaticidas, mão-de-obra e equipamentos necessários para o seu controle e, além disso, estes produtos tóxicos podem causar sérios danos aos animais, ao homem e ao meio ambiente. As estratégias de ação fundamentam-se no conhecimento da biologia do parasito (ciclo de vida), sua relação com o meio ambiente e os hospedeiros e os instrumentos disponíveis para o controle (carrapaticidas, manejo, etc.).

No Brasil, as perdas econômicas causadas pelo carrapato Rhipicephalus microplus no ano de 1983 estavam na ordem de 1 bilhão de dólares. Atualmente, estima-se que, com o aumento do rebanho bovino, este prejuízo tenha dobrado de valor. 

Como reconhecer

O diagnóstico da doença se faz pela constatação da presença dos carrapatos. Os animais parasitados tornam-se inquietos e não se alimentam satisfatoriamente. Ocorre então emagrecimento, queda na produção de carne e leite, irritação da pele no local da picada e anemia em decorrência da perda de sangue. 

Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização, aspersão ou imersão (piretróides, organofosforados e amidinas), pour on (piretróides, organofosforados, avermectinas) ou injetáveis (avermectinas e milbemicinas) e derivados dos fenilpirazóis (fipronil).

Como evitar

Através da realização do controle estratégico, evitando-se o uso de tratamentos curativos realizados de forma indiscriminada, que geram o aparecimento de cepas de carrapatos resistentes às drogas. O controle estratégico deve ser empregado de acordo com os dados epidemiológicos de cada região. Não é conveniente que os carrapatos sejam totalmente eliminados numa propriedade. Deve-se manter um nível tolerável de infestação que proporcione equilíbrio entre a resistência do animal e as doenças por ele transmitidas.

Para manter o parasita em nível satisfatório é necessário estabelecer uma estratégia de controle, concentrando os banhos carrapaticidas (3 a 6 banhos/ano com intervalos de 19-21 dias entre eles) no início da estação chuvosa. No início da aplicação do controle estratégico na propriedade podem ser necessários tratamentos táticos quando a infestação por carrapatos fêmeas adultas for maior do que 10 a 20 em um dos lados do corpo do animal, dependendo de sua raça e faixa etária. Podem ser usados também produtos inibidores do crescimento (Fluazuron). A vacina associada a produtos químicos também é uma estratégia de controle.

Carrapato dos equídeos

O que é

Carrapatos são indiscutivelmente os ectoparasitos de equinos mais importantes no Brasil. Diretamente, eles espoliam o sangue, abrem porta de entrada para miíases e infecções secundárias, irritam os animais e podem causar dermatites. São também vetores dos agentes causais da Babesiose equina (Babesia equi e Babesia caballi), sendo esta doença um fator limitante para o desempenho de cavalos de esporte, além de restringir o comércio internacional desses animais. Pelo menos três espécies de carrapatos são comumente encontradas em equinos no Brasil: Anocentor nitens, Amblyomma cajennense e Rhipicephalus microplus.

Anocentor nitens

No Brasil, é encontrado parasitando cavalos e outros equídeos, estando amplamente difundido pelo país. Parasita principalmente o pavilhão auricular, embora possa ser encontrado em outros sítios de fixação como na narina, base da crina, região perineal e ao longo da linha ventral média do corpo. É responsável por muitas doenças, incluindo lesões na orelha como: quebra da mesma (cavalo troncho), miíases e babesiose equina (Babesia caballi).

O parasitismo por A. nitens determina inúmeros prejuízos para os equinos do Brasil, através dos gastos com carrapaticidas e problemas na saúde dos animais. O A. nitens é uma espécie com um único hospedeiro no seu ciclo e quase sempre adota equinos e muares como hospedeiros, mas é algumas vezes encontrado em outros animais como jumentos, bovinos, ovinos, veados e búfalos.

A duração da fase parasitária do ciclo no cavalo é de 24 a 28 dias. Em bovinos, o ciclo do parasito é mais longo que em equinos, ocorrendo o massivo desprendimento de fêmeas de 25 a 36 dias pós-infestação. São observadas 3 a 4 gerações anuais de A. nitens no Brasil, que decorrem de mudanças climáticas e também são devidas ao estado fisiológico do cavalo, dependendo de seu nível de resistência ou susceptibilidade. 

Amblyomma cajennense

O A. cajennense, o carrapato do corpo dos cavalos, conhecido no Brasil como "Carrapato Rodoleiro" ou "Carrapato Estrela" na sua fase adulta, “Vermelhinho” na fase ninfal e “Micuim” na fase larvar, tem sido considerado como uma praga de importância emergente nas áreas de produção animal, como espoliador dos rebanhos equinos e bovinos e, de saúde pública como importante transmissor da riquetsiose nos humanos (Febre Maculosa). Vários animais domésticos e ampla diversidade das espécies silvestres, mamíferos e aves, podem albergar algum estádio parasitário deste carrapato. O A. cajennense é um carrapato trioxeno, ou seja, necessita de três hospedeiros de espécies iguais ou diferentes para completar seu ciclo de vida. 

Como reconhecer 

Presença do carrapato no corpo do animal.

Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização (piretróides)

Como evitar

Baseado no estudo da dinâmica sazonal das fases parasitárias e não parasitárias, são sugeridas medidas de controle estratégico para A. nitens no Brasil, similarmente àquelas adotadas para B. microplus. Os tratamentos carrapaticidas devem ser mais intensivos na primavera e verão com pulverização de todo o corpo dos equinos, inclusive dentro da narina e da orelha, em intervalos mínimos de 24 dias, cobrindo um período de pelo menos 4 meses ininterruptos no ano. Devem ser utilizados 4 a 5 litros da calda por animal adulto e, após o tratamento, os animais devem voltar para o mesmo pasto. Em muitas propriedades é comum o uso de carrapaticidas tópicos na orelha como única medida de controle de A. nitens. No entanto, este controle tem se mostrado ineficiente, devido às populações encontradas em outras regiões do corpo do animal.

Para o controle do A. cajennense deve-se evitar a presença de pastagens sujas (mato + pastagem). Outra medida recomendada para o controle de A. cajennense é o uso de tratamentos carrapaticidas a cada sete a dez dias, durante o período larval e ninfal de todos os equinos da propriedade, num intervalo máximo de 3 dias para todo o plantel. É também fundamental que os animais sejam retornados ao pasto de origem. Isto porque se espera que cada animal vire uma “armadilha viva” durante o intervalo entre tratamentos. 

A dificuldade está no controle da população adulta, pois além de se necessitar de um produto com uma concentração 1,8 vezes superior à concentração indicada para o controle dos carrapatos dos bovinos, na época do tratamento (primavera e verão) temos grande quantidade de éguas em segundo e terceiro estágios de gestação. O uso intensivo e indiscriminado de carrapaticidas neste período pode ocasionar intoxicações e abortos absolutamente indesejáveis para estes animais.

Para controlar estes problemas em rebanhos pequenos, indica-se que, no período de primavera e verão, todas as fêmeas ingurgitadas sejam diariamente retiradas dos animais. Alguns ganhos resultarão desta ação. Em primeiro lugar, para cada fêmea repleta retirada estarão sendo retiradas do campo 5000 prováveis larvas que comporão a geração no ano seguinte. Em segundo lugar, se o controle das fases larval e ninfal forem bem feitos, reduziremos drasticamente a necessidade de banhos carrapaticidas neste período. Em terceiro lugar, a manipulação diária destes animais produzirá um comportamento dócil altamente desejável nos animais do rebanho. 

Para o controle do B. microplus nos equídeos a providência imediata que deve ser tomada em um plantel infestado é a prática de separação de pastos destinados aos equinos e aos bovinos. Deve-se ter muito cuidado nas prescrições de carrapaticidas de bases fosforadas ou misturas piretróides + fosforados. Seu uso intensivo pode resultar em quadros de intoxicações em animais e operadores. Por isso, na atualidade, recomenda-se que os programas de tratamento intensivos sejam realizados com produtos das bases piretróides puras na forma de concentrados emulsionáveis para banhos de aspersão ou imersão. 

Baseado em todos esses estudos podemos dizer que o meio mais eficiente para evitar a infestação por B. microplus em equinos é criar cavalos completamente separados de bovinos. A infestação por A. cajennense pode ser controlada usando acaricidas recomendados nas dosagens adequadas, mantendo as pastagens uniformes e em condições limpas através da roçagem, pelo menos uma vez ao ano, durante as estações chuvosas (primavera e verão), quando o crescimento da forragem é favorecido. Infestações pelo A. nitens podem ser controladas através da pulverização de todos os equinos com acaricida por todo o corpo nos intervalos corretos e nas diluições adequadas, principalmente no período da primavera e verão.

 

 

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Dermatofilose

É um processo infeccioso da pele que acomete bovinos, ovinos, caprinos, equídeos, cães e até o homem, causado por uma bactéria denominada Dermatophilus congolensis que se caracteriza por uma dermatite exsudativa, com erupções cutâneas crostosas e escamosas.

Também é conhecida por estreptotricose cutânea, “Mela” ou “Chorona”.A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose. 

Fatores estressantes como desmama, carência alimentar ou traumatismos por manejo inadequado, associados com períodos chuvosos e quentes, podem desencadear a doença por quebrarem a integridade da pele. A forma de surtos ocorre principalmente na época chuvosa e geralmente está associada a pastagens de Brachiaria decumbens ou Brachiaria brizantha, as quais, através de suas folhas ásperas, provocam microlesões na pele dos animais.

Acomete bovinos de todas as idades, mas os mais jovens são mais propensos.

Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto, indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. 

Como reconhecer

Aparecimento de lesões em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço. A doença normalmente é descoberta pela presença de elevações abaixo do pelo. As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pelo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados. Em estágios mais avançados, a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas pelos pelos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pelos. Nos estágios finais, há perda intensa de pelos, com formação de casca acentuada e pregueamento. Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham com barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso. A reinfecção pode ocorrer principalmente em animais jovens.

Como tratar 

Os antibióticos injetáveis constituem-se no tratamento mais eficaz para controle da dermatofilose. A penicilina ou a estreptomicina são recomendadas em dois tipos de tratamento, ou em uma única aplicação em altas doses (70.000 UI/kg PV de penicilina ou 70 mg/kg PV de estreptomicina), ou em doses diárias (5.000 UI/kg PV ou 5 mg/kg PV, respectivamente) durante cinco dias. A oxitetraciclina também pode ser usada no controle de surtos da doença na dose de 20 mg/kg PV. 

As aplicações tópicas geralmente são pouco recomendadas por conta das dificuldades do produto em atingir as camadas mais profundas da pele. Alguns produtos podem ser utilizados, sendo recomendada a remoção das crostas antes da aplicação. Contudo, não se deve esperar por uma boa resposta ao tratamento tópico, principalmente se as condições do meio ambiente são adequadas para a disseminação da doença. Em termos gerais, os melhores resultados são obtidos durante o tempo quente e seco. 

Quando um grande número de animais é afetado podem ser recomendados banhos de imersão ou aspersão com sulfato de zinco ou de cobre na concentração de 0,2%-0,5%. 

Como evitar

Realizar o isolamento e tratamento imediato dos animais afetados assim que forem observadas as primeiras lesões, juntamente com a desinfecção do local e dos utensílios utilizados no manejo destes animais. Manter os animais em bom estado corporal auxilia na resistência imunológica e na prevenção das doenças.


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Diarréias

Apesar do aprimoramento das técnicas de manejo e das estratégias de prevenção e tratamento, as diarreias continuam sendo o problema mais comum e oneroso que afeta os bezerros nas fases iniciais da vida.

Todo criador sabe da importância das diarreias de bezerros sobre a lucratividade da empresa rural. Além das perdas imediatas, geram prejuízos econômicos expressivos atribuídos à perda de animais por morte ou descarte precoce, redução no ganho de peso e crescimento, mão-de-obra para manejar os bezerros doentes, custos dos medicamentos e com honorários do Médico Veterinário.

A crescente tendência de intensificação dos sistemas de produção visando obter maior lucratividade tem causado aumentos significativos na incidência destas doenças.

As diarreias são doenças complexas e multifatoriais, que envolvem o animal, o ambiente, a nutrição e os agentes infecciosos. A ocorrência da doença depende da relação entre a condição imunológica dos bezerros e a carga infectante a qual eles estão submetidos. Vale lembrar que os bezerros com menos de 30 dias de vida ainda são altamente dependentes da imunidade passiva, recebida na colostragem, e que uma alta porcentagem dos bezerros (aproximadamente 40%) apresenta falhas na transmissão desta.

Diarreia não é uma doença por si só. Na verdade ela é um sintoma, um sinal comum a diversas doenças. Na prática, não é fácil determinar com exatidão qual doença está acometendo um animal com diarreia, até porque, muitas vezes, mais de um agente está envolvido simultaneamente. De qualquer maneira, uma grande quantidade de bactérias (Escherichia coli, Salmonella spp.), vírus (Rotavirus, Coronavirus), protozoários (Eimeria spp., Cryptosporidium sp.) e helmintos estão envolvidos nos quadros de diarreia.

É importante lembrar que infecções mistas, com dois ou mais patógenos envolvidos, são muito mais comuns que infecções por um único agente, e que os patógenos que são problema em uma propriedade podem mudar a cada ano. Além disso, em muitos casos um problema nutricional não detectado pode estar combinado com agentes infecciosos.

O principal fator predisponente para o aparecimento das diarreias é a falha na transmissão da imunidade passiva, entretanto, por ser uma doença multifatorial, as interrelações animal-ambiente assumem uma importância fundamental e interferem no desenvolvimento da resposta imune. Destacam-se as seguintes condições como predisponentes:

Higiene: instalações e utensílios em condições sanitárias precárias, alta densidade e falta de agrupamento de animais por faixas etárias, baixa qualidade da água. 

Nutrição: dietas que não atendem aos requisitos nutricionais, fornecimento de leite em quantidade e intervalo de tempo incorretos, sucedâneos do leite de baixa qualidade nutricional, alimentos mofados ou deteriorados. 

Outras doenças concomitantes: principalmente infecções respiratórias e umbilicais. 

A tabela apresenta a distribuição dos principais agentes causadores de diarréia, de acordo com a idade dos bezerros:

Agente Idade (dias)

E. coli enterotoxigênica < 3

Coronavírus 05 - 21

Rotavírus 05 - 15

Salmonella 05 - 42

Criptosporidium 05 - 35

Eimeria > 20

Helmintos > 15

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003)

Rotavírus é a causa mais comum de diarreia em bezerros recém-nascidos, entretanto, infecções por Coronavírus e por E. coli enterotoxigênica apresentam maiores taxas de mortalidade, tornando maior o seu impacto econômico.

Diarreia de origem nutricional também pode ocorrer. O bezerro jovem é extremamente limitado em termos de digestão de nutrientes durante as 3 primeiras semanas de vida e este fato está diretamente relacionado à ausência e inatividade de algumas enzimas digestivas. A atividade da maior parte destas enzimas aumenta a partir da 3ª semana de vida, permitindo a utilização de maior diversidade de ingredientes na formulação das dietas. Sucedâneos do leite contendo alta inclusão de proteínas de origem láctea asseguram os melhores desempenhos das bezerras até 30 dias de vida devido, principalmente, à maior digestibilidade, excelente perfil de aminoácidos e inexistência de fatores anti-nutricionais. 

A ocorrência de diarreias em bezerros jovens é frequentemente súbita e aguda. Os animais tornam-se rapidamente desidratados, embora os sinais clínicos possam ser pouco perceptíveis. A avaliação da quantidade de água perdida é importante para determinação da estratégia de reidratação. Os animais com diarreia tornam-se rapidamente desidratados, com perdas potenciais de 6 a 12% do volume de seus fluidos corporais em apenas um dia.

Como reconhecer

Grau de desidratação e sinais clínicos associados

Perda de água corporal (%) Sinais Clínicos

0 - 5 Leve depressão e diminuição no volume urinário

6 - 8 Olhos fundos, perda de elasticidade da pele, depressão, bocas e narinas ressecadas, maior redução no volume urinário.

9 - 11 Sinais clínicos listados mais pronunciados, extremidades frias, animal em decúbito.

12 - 14 Choque e morte.

Adaptado de FISHER & MARTINEZ (1975)

Como tratar

A chave para o sucesso no tratamento das diarreias é a rápida detecção do problema e intervenção imediata, com administração de uma solução bem balanceada para reidratação oral contendo eletrólitos e nutrientes. Se a reidratação for feita logo no início da diarreia, a taxa de sucesso do tratamento pode chegar a 95% ou mais. Por muitos anos, recomendou-se a suspensão do fornecimento de leite ou sucedâneo, aos primeiros sinais de diarreia. Felizmente, esta prática está sendo abolida, pois priva os animais de sua principal fonte de nutrientes e água. A recuperação dos bezerros é acelerada quando a dieta líquida está associada à hidratação oral, pois ocorre uma diminuição na perda de peso dos animais. A tabela abaixo mostra um exemplo de solução para hidratação oral, que tem apresentado excelentes resultados a campo.

Solução eletrolítica utilizada para hidratação oral de bezerros

Ingrediente Quantidade (g)

Cloreto de Sódio 5,0

Cloreto de Potássio 1,0

Bicarbonato de Sódio 4,0

Glicose 20,0

Água 1 litro

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003).

Esta fórmula pode ser utilizada em todos os tipos de diarreia. A hidratação oral pode ser feita com sucesso até 8% de desidratação. Acima disso, deve-se avaliar o potencial de retorno econômico do animal antes de instituir tratamentos onerosos. Nestes casos, o déficit deve ser corrigido por via intravenosa, continuando posteriormente com a hidratação oral. A quantidade de fluido a ser administrada por bezerro deve ser calculada da seguinte forma:

Déficit = peso vivo x % desidratação

Mantença = 50 a 100ml/Kg PV

Perdas antecipadas = 50ml/Kg de PV

A quantidade total deverá ser fornecida aos bezerros num período de 24h. A solução não deve ser administrada junto com a dieta líquida, respeitando-se um intervalo de 2h, para não haver interferências na digestão. Bezerros com menos de 30 dias de vida não digerem sacarose (açúcar comum), portanto, não se deve utilizá-la em substituição à glicose.

A antibioticoterapia deve ser utilizada em quadros em que os animais apresentarem febre e depressão severa. 

Como evitar

Existem quatro metas principais de um manejo efetivo para prevenção de diarreias:

Fornecimento de colostro de alta qualidade e em quantidades adequadas o mais rápido possível após o nascimento dos bezerros; 

Redução do estresse e do desafio infeccioso dos animais, propiciando-lhes instalações limpas, secas, bem dimensionadas e higienizadas com acesso fácil à água de boa qualidade física e microbiológica; 

Fornecimento de dietas balanceadas para suprir os requisitos nutricionais, assegurando que os bezerros estejam saudáveis e mais resistentes às doenças; 

Observações frequentes dos animais para assegurar tratamentos rápidos e adequados aos doentes. 

Produtos Vinculados: Antidiarréico, Oxitrat-LA, Vetflogin


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Fotossensibilização

É uma doença de bovinos, ovinos, caprinos, e equinos que ocorre devido a uma sensibilização das camadas superficiais da pele quando expostas à radiação solar intensa, devido à ação de certas drogas, plantas ou outras substâncias.

A fotossensibilização é classificada de acordo com o agente fotodinâmico em três tipos: tipo I ou primária, em que pigmentos vegetais ou medicamentos intrinsecamente fotodinâmicos são ingeridos, absorvidos e ingressam na circulação sistêmica; tipo II,  que ocorre em consequência da síntese anormal de pigmentos endógenos, geralmente de origem hereditária; e tipo III, hepatógena, ocorre pelo acúmulo de filoeritrina, produto de degradação da clorofila, em consequência de lesão hepática que impede a sua excreção. 

A fotossensibilização hepatógena é a forma mais comum em ruminantes em que o fígado é lesado por toxinas, causando distúrbio hepático e impedindo-o de fazer a desintoxicação do organismo, causada por certas substâncias fotodinâmicas que vão se acumular na circulação periférica e com a incidência da luz solar causam na pele lesões características com aspectos de "Casca de árvore". É conhecida vulgarmente pelos nomes de "Regueima" e "Sapeca". Afeta bovinos de todas as idades. Ocorre principalmente quando os animais estão em pastos de Brachiaria sp, principalmente a B. decumbens, vedados e na época das chuvas.

Como reconhecer

As partes brancas dos animais afetados começam a ficar avermelhadas, pele enrugada e formação de crostas em grandes extensões da pele. O processo evolui até a morte do tecido cutâneo que resseca e começa a "descascar". A descrição mais próxima do quadro que se vê é o de uma árvore perdendo a casca. As bicheiras, sempre oportunistas, não raro se instalam sobre a lesão. O animal apresenta inapetência, excitabilidade, prurido, lacrimejamento, edema de barbela, edema dos flancos e da prega caudal. Com a evolução da doença, ocorre o "quebramento de orelhas", poliúria, icterícia, enfraquecimento e desidratação.

As formas mais brandas da doença provocam perda de peso de alguns animais, sem motivos aparentes. 

Como tratar 

Como medicação, é indicada a utilização de protetores hepáticos, anti-histamínicos, hidratantes e vitaminas ADE. Nas lesões de pele podem ser usadas pomadas antissépticas e cicatrizantes, além de óleo de peixe. Estes tratamentos são comprovadamente eficientes na recuperação da doença, desde que a mesma seja diagnosticada de imediato. É importante a retirada dos animais da pastagem onde está ocorrendo o problema, colocando-os em um pasto com capim mais baixo e com sombreamento. 

Como evitar

O fungo P. chartarum de folhas de B. decumbens, é um fator determinante para o desenvolvimento da fotossensibilização em bovinos, em virtude da lesão causada no fígado destes animais.

No tratamento, é importante a retirada dos animais da pastagem problema e, sempre que possível, colocá-los em piquetes com sombreamento. Como medicação, é indicada a utilização de protetores hepáticos, antihistamínicos e hidratantes. A introdução da B. decumbens no Brasil Central deu grande impulso à pecuária de corte e os benefícios dela advindos são, sem dúvida, superiores aos problemas de fotossensibilização que ela favoreceu.

O conhecimento da doença por parte do pecuarista e a conscientização deste, no sentido de diversificar a formação das pastagens, tem contribuído para o seu controle.

Hoje, sabe-se que em pastagem de B. decumbens, com um manejo adequado, a doença não ocorre ou é de baixa frequência. Sabe-se, também, que bezerros não devem ser desmamados em B. decumbens, pois o estresse da desmama, mais a idade do animal e a possível existência de animais geneticamente mais suscetíveis, são fatores pré-disponentes ao aparecimento da fotossensibilização.


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Garrotilho

Garrotilho, também conhecido como "adenite equina", "gurma", "coriza contagiosa" e "estreptococcia equina", é uma enfermidade infectocontagiosa aguda dos equídeos, caracterizada por inflamação mucopurulenta das vias aéreas superiores, associada a linfadenite abscedativa, particularmente dos linfonodos submandibulares e retrofaríngeos. É causada pela bactéria Streptococcus equi, que chega às vias aéreas por inalação e, ocasionalmente, por via oral.

O garrotilho acomete equídeos de todas as idades, porém a frequência é maior em animais jovens com menos de dois anos. Aproximadamente 70% dos animais afetados adquirem imunidade, embora alguns possam adoecer mais de uma vez. A imunidade é conferida pelas éguas imunes através do colostro para os potros até os 3 meses de idade.

A transmissão de S. equi ocorre por contato direto entre animais sadios e doentes e pode ocorrer também, indiretamente, por intermédio de tratadores ao lidarem com os animais nos estábulos, ou mesmo por fômites infectados. A contaminação de alimentos, cama, água, ar, utensílios de estábulos, sondas gástricas e endoscópios, além de insetos, podem participar como fontes de disseminação do agente. Outros fatores como estresse, transporte, frio excessivo, agrupamento de animais, excesso de trabalho, infecções virais e parasitismo aumentam a susceptibilidade dos animais e podem precipitar a enfermidade naqueles com infecções latentes. 

Como reconhecer

Os animais afetados apresentam súbita elevação de temperatura (40-41ºC), perda de apetite, depressão, respiração difícil e acelerada, mucosa nasal avermelhada com corrimento seroso no início e depois de 2-3 dias mucopurulento, passando a purulento e no final tornando-se grosso e amarelado. Essa descarga nasal é, geralmente, bilateral. Pode haver tosse que perdure por várias semanas. O animal apresenta dor na região da faringe e mantém a cabeça baixa e estendida, atrapalhando a sua deglutição. Conjuntivite purulenta pode também ser observada. Os gânglios (linfonodos) submandibulares e retrofaríngeos apresentam-se aumentados de volume, endurecidos, quentes e doloridos, transformando-se depois em abscessos que supuram e liberam pus amarelo e cremoso. Esse aumento de volume desses gânglios, associado às lesões das mucosas, pode impedir a mastigação, deglutição e respiração, levando o animal à morte por asfixia.

Após a ruptura desses abscessos pode ocorrer aspiração do pus, levando a uma pneumonia purulenta, formação de abscessos no fígado, rins, cérebro e articulações. Pode ocorrer, também, miocardite, anemia crônica e uma síndrome conhecida como Púrpura Hemorrágica com edemas (inchaços) no abdome, membros, cabeça e escroto e erupção da pele. 

Como tratar

O antibiótico de escolha é a penicilina de ação retardada a 22.000 UI/kg, por via intramuscular, 2 vezes ao dia, repetindo-se a dose por 5 dias consecutivos ou até desaparecerem os sinais clínicos. Pode ser usado, também, produto à base de sulfas. Animais com abscedação nos linfonodos necessitam de tratamento local com compressas quentes para incrementar a maturação e a drenagem dos abscessos. Após a drenagem, o tratamento local dos abscessos com solução de iodo é importante para evitar infecções secundárias. 

Como evitar

Uma medida profilática eficiente é o acompanhamento dos animais antes de serem introduzidos em uma propriedade, através da tomada da temperatura 2 vezes por dia e, no caso de suspeita da doença, fazer coleta de materiais (swabs nasais) para exames.

Realizar de imediato o isolamento dos animais doentes, por pelo menos 6 semanas após o início dos sinais, apesar de que o tempo necessário para se obter uma segurança é bem maior (aproximadamente 8 meses), o que é praticamente inviável para o criador. Deve-se também limpar e desinfetar totalmente as baias e os equipamentos utilizados pelo animal para que o contágio seja menor.

Existem vacinas no mercado, porém nenhuma é completamente eficaz, embora reduzam em cerca de 50% a severidade da doença e a morbidade durante os surtos. Muitas vezes não são recomendadas por causarem reações no local da inoculação.


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