Doenças


Acidente Ofídico (Picada de Cobra)

O Acidente Ofídico é o envenenamento de homens e animais pela picada de cobras venenosas através da injeção de suas toxinas (veneno). 

Noventa por cento dos casos de acidentes com picada de cobra em bovinos no país são provocados por serpentes venenosas do grupo botrópico: jararaca, jararacuçu, caiçara, urutu, cotiara e cruzeira. Espalhadas pelo Brasil inteiro, causam problemas difíceis de se lidar no dia-a-dia da empresa rural. Com uma frequência menor, mas não menos grave, estão os acidentes com cascavel do grupo crotálico (cerca de 9% dos casos). A cobra-coral, do grupo micrurus, raramente cria caso com bovinos (apenas 1% dos casos).

Mais raros ainda, mas que podem ocorrer, são os casos de picada de surucucu, de pico de jaca e surucutinga, todas do grupo laquésico. Acontecem de quando em quando, em algumas regiões do Brasil, principalmente na região Norte.

Muitos casos de morte de animais que ocorrem em todo o Brasil, principalmente bovinos e equinos, ainda são considerados culpa das cobras. Entretanto já se sabe que isso não é verdade. Precisamos diagnosticar as mortes, através de um veterinário, porque muitas doenças matam rapidamente e com características de envenenamento por cobras como manqueira e intoxicação por plantas. Por isso precisamos saber o que realmente está acontecendo, para tomarmos as medidas corretas de prevenção. 

Como reconhecer

Cada tipo de cobra provoca um tipo de sintoma. Como 90% dos casos são picadas de cobras do tipo da jararaca (grupo botrópico), é aconselhável memorizar os sintomas por elas provocados.

No caso dos bovinos é raro presenciar o momento da picada. O principal sinal é um inchaço no ponto da picada, frequentemente nas patas. Marcas deixadas pelos dentes da cobra nem sempre são visíveis. Dependendo da quantidade de veneno injetado pela cobra, esse inchaço pode se espalhar e, com a evolução, causar necrose local do tecido e o aparecimento de grandes feridas. Quando as lesões são muito extensas, a dor forte deixa os animais abatidos e sem apetite. 

As picadas de cascavel e cobra-coral, todavia, não provocam esse quadro. Não há sinais no local da picada. Nota-se uma perturbação geral do animal, que se apresenta inicialmente agitado e, em seguida, abatido, podendo chegar até a inconsciência. Hemorragias podem ocorrer em acidentes com cascavéis.

Como tratar

Antes de pensar em qualquer tipo de tratamento, o importante é lembrar de não amarrar o membro atingido, nem aplicar qualquer tipo de garrote. Essa prática é muito comum, mas apenas agrava mais ainda as lesões da picada. Da mesma forma, não se deve cortar ou abrir a ferida e muito menos sugar ou aspirar no ponto de lesão. Os animais acometidos devem ser mantidos em um local isolado, em repouso. A única terapia efetiva é o soro antiofídico.

Existem vários tipos de soros antiofídicos, um para cada tipo de cobra. O soro antibotrópico é o mais importante para se ter em estoque, devido a sua alta incidência em bovinos (90%). Caso a ocorrência de picadas por cascavel seja freqüente convém ter também o soro anticrotálico. Existem ainda soros polivalentes. Tratamento de suporte ou sintomático também pode auxiliar, dependendo do caso.

Como evitar

Não é possível pensar em diminuir a população de cobras em uma fazenda, até porque elas participam de um delicado equilíbrio ecológico, mantendo sob controle as populações de ratos e outros roedores. Assim, é importante que toda fazenda tenha uma boa quantidade de soro antiofídico em estoque. Convém sempre checar a data de validade do soro e assegurar-se de que sejam mantidos sob refrigeração.

No caso do homem, o uso de botas diminui significativamente a ocorrência de casos de picadas de cobra.


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Artrite Encefalite Caprina (CAE)

A CAE é uma doença infecciosa específica dos caprinos. Geralmente apresenta-se de forma crônica, caracterizando-se por um longo período de incubação e uma evolução clínica lenta e progressiva. Os animais infectados passam a ser portadores permanentes do vírus. O vírus pode estar presente em todos os líquidos biológicos do corpo.

A transmissão do vírus entre os caprinos ocorre, com maior frequência, através da ingestão do colostro e do leite de animais infectados. O contato direto entre os animais, bem como toda a forma de contato indireto com os líquidos corporais (principalmente o sangue), também são importantes meios de transmissão do vírus.

Formas de transmissão do vírus da CAE:

Transmissão direta

Ingestão de colostro e leite da própria mãe ou do leite misturado de várias cabras;

Contato direto entre os animais através dos líquidos corporais (aerossóis, saliva, etc.) 

Transmissão indireta

Através de objetos contaminados e pelo homem: agulhas e seringas; instrumentos cirúrgicos (na castração etc.); tatuador; ferramentas em geral; ordenhadeira mecânica; tratador. 

Como reconhecer

A CAE pode manifestar-se através de cinco quadros clínicos principais: artrite, encefalite, mamite, pneumonia e emagrecimento crônico. Ocorre queda acentuada na produção de leite das cabras infectadas (10-15%).

Como tratar

Nenhuma das formas clínicas da CAE é curável. O emprego de medicamentos, na tentativa de um tratamento sintomático dos animais infectados, contribui apenas para uma melhora clínica temporária, uma vez que não existe medicamento ou vacina que combata a doença de forma eficaz. A utilização de antibióticos para a prevenção ou combate de processos infecciosos secundários não é recomendada, tanto por razões econômicas quanto pelo fato de promover o surgimento de cepas bacterianas resistentes a estes medicamentos, em decorrência da sua utilização contínua e indiscriminada. 

Como evitar

A imunização ativa dos animais através de uma vacina específica contra o vírus ainda se encontra em fase de pesquisa. 

A alternativa para combater a CAE nos rebanhos consiste basicamente em evitar a transmissão do vírus. Para alcançar este objetivo, diversos países vêm adotando um conjunto de medidas preventivas para controlar a disseminação da CAE. Este conjunto de medidas é chamado de Plano de Saneamento da CAE e tem como meta a formação de rebanhos livres da doença. Esse Plano é baseado em exames sorológicos de todos os caprinos da propriedade e é acompanhado por um médico veterinário.


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Ceratoconjuntivite em Ovinos e Caprinos

Ceratoconjuntivite infecciosa ovina é uma doença infecciosa e contagiosa caracterizada por inflamação aguda da conjuntiva e córnea, acometendo animais de todas as idades e sexo.

Atualmente considera-se que é causada, principalmente pela bactéria Mycoplasma conjuncitivae, mas diversos outros microrganismos têm sido responsabilizados como agentes da doença. As moscas e outros insetos são os agentes transportadores da bactéria para os animais, sendo a transmissão favorecida pela poeira e pela concentração de animais. 

Como reconhecer

Animais apresentam-se com conjuntivite, lacrimejamento excessivo, fotofobia, descargas oculares purulentas, opacidade e ulceração da córnea, em casos avançados. A gravidade varia de um indivíduo para outro, podendo, inclusive, ambos os olhos quando afetados, apresentarem quadros diversos. 

As perdas econômicas causadas por essa doença estão associadas à perda ou menores ganhos de peso, diminuição da produção de lã e gastos com medicamentos e manejo do rebanho.

Como tratar

Para o tratamento utilizam-se pomadas oftálmicas ou colírios à base de antibiótico como tetraciclinas e tylosina. Entretanto, A cura espontânea ocorre na maioria dos animais. 

Como evitar

Isolar os animais doentes e evitar ferimentos nos olhos dos animais.


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Dermatofilose

É um processo infeccioso da pele que acomete bovinos, ovinos, caprinos, equídeos, cães e até o homem, causado por uma bactéria denominada Dermatophilus congolensis que se caracteriza por uma dermatite exsudativa, com erupções cutâneas crostosas e escamosas.

Também é conhecida por estreptotricose cutânea, “Mela” ou “Chorona”.A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose. 

Fatores estressantes como desmama, carência alimentar ou traumatismos por manejo inadequado, associados com períodos chuvosos e quentes, podem desencadear a doença por quebrarem a integridade da pele. A forma de surtos ocorre principalmente na época chuvosa e geralmente está associada a pastagens de Brachiaria decumbens ou Brachiaria brizantha, as quais, através de suas folhas ásperas, provocam microlesões na pele dos animais.

Acomete bovinos de todas as idades, mas os mais jovens são mais propensos.

Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto, indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. 

Como reconhecer

Aparecimento de lesões em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço. A doença normalmente é descoberta pela presença de elevações abaixo do pelo. As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pelo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados. Em estágios mais avançados, a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas pelos pelos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pelos. Nos estágios finais, há perda intensa de pelos, com formação de casca acentuada e pregueamento. Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham com barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso. A reinfecção pode ocorrer principalmente em animais jovens.

Como tratar 

Os antibióticos injetáveis constituem-se no tratamento mais eficaz para controle da dermatofilose. A penicilina ou a estreptomicina são recomendadas em dois tipos de tratamento, ou em uma única aplicação em altas doses (70.000 UI/kg PV de penicilina ou 70 mg/kg PV de estreptomicina), ou em doses diárias (5.000 UI/kg PV ou 5 mg/kg PV, respectivamente) durante cinco dias. A oxitetraciclina também pode ser usada no controle de surtos da doença na dose de 20 mg/kg PV. 

As aplicações tópicas geralmente são pouco recomendadas por conta das dificuldades do produto em atingir as camadas mais profundas da pele. Alguns produtos podem ser utilizados, sendo recomendada a remoção das crostas antes da aplicação. Contudo, não se deve esperar por uma boa resposta ao tratamento tópico, principalmente se as condições do meio ambiente são adequadas para a disseminação da doença. Em termos gerais, os melhores resultados são obtidos durante o tempo quente e seco. 

Quando um grande número de animais é afetado podem ser recomendados banhos de imersão ou aspersão com sulfato de zinco ou de cobre na concentração de 0,2%-0,5%. 

Como evitar

Realizar o isolamento e tratamento imediato dos animais afetados assim que forem observadas as primeiras lesões, juntamente com a desinfecção do local e dos utensílios utilizados no manejo destes animais. Manter os animais em bom estado corporal auxilia na resistência imunológica e na prevenção das doenças.


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Dermatomicose

É uma dermatite localizada, infectocontagiosa, de caráter crônico, causada pela invasão da pele e pelos por fungos, conhecidos como dermatófitos, que é caracterizada por descamação e perda de pêlos.Também conhecida pelo nome de "tinha", dermatofitose ou tricofitose. 

É uma doença de distribuição mundial, comum em regiões de clima tropical e temperado, particularmente em áreas quentes e úmidas, acometendo bovinos, ovinos, equinos, suínos, cães, gatos, aves, animais silvestres e humanos de qualquer idade, sendo os animais jovens os mais sensíveis. 

As perdas econômicas causadas pela dermatomicose são baixas, uma vez que a infecção é superficial e restrita à pele, mas a inquietação decorrente do prurido pode resultar em diminuição nas taxas de ganho de peso e crescimento. 

O meio de contaminação mais comum é o contato direto entre animais infectados e animais sadios, embora os esporos possam estar presentes em cercas, postes, cochos etc.

Como reconhecer

Aparecimento de lesões na cabeça, pescoço e no períneo, podendo se alastrar para outras regiões e envolver grandes áreas do corpo do animal, as quais são circulares, circunscritas, medindo de 1 a 3 cm de diâmetro, podendo estar desprovidas de pelos ou cobertas por crosta de coloração acinzentada ou amarronzada, que se projetam ligeiramente acima da pele. A superfície abaixo da crosta é úmida e hemorrágica nos estágios iniciais, mas, quando as cascas caem, a lesão está seca e desprovida de pelos. Prurido não é comum, embora frequentemente os animais apresentem sinais de irritação. Em casos mais severos, particularmente em bezerros e animais jovens, a lesão tende a coalescer e a pele torna-se espessa e pregueada. 

O curso da doença é de aproximadamente quatro meses. Animais recentemente recuperados apresentam resistência temporária à reinfecção. 

Como tratar

Existem dúvidas quanto à validade do tratamento para a dermatomicose em bovinos, visto que a doença é normalmente autolimitante e a recuperação espontânea é comum. O tratamento, se bem executado, terá como objetivo reduzir a extensão das lesões e limitar a disseminação da doença, através da redução da contaminação ambiental. 

Muitos tipos de tratamentos tópicos podem ser usados, mas para uma maior eficácia, todos devem ser precedidos da retirada das crostas, com auxílio de escova de cerdas e água morna. As soluções devem ser esfregadas com intensidade nas lesões, sobretudo nas regiões periféricas. Aplicações de soluções fracas de iodo (1-2%), a cada 1-2 dias, têm alcançado bons resultados. Alguns produtos têm se mostrado auxiliares ao tratamento em função de seu efeito imunoestimulante como o levamisole. 

Em rebanhos onde a infecção atinge um grande número de animais, o tratamento deve ser feito à base de pulverizações ou banhos. O Captan® (N-triclometil-mercapto-4-ciclo-hexeno-1,2-dicarboxamida), fungicida de uso agrícola tem sido recomendado como um dos produtos mais eficazes para este tipo de uso. A dosagem recomendada é de 1:300-400, utilizando-se de 4-7 litros da calda por animal em dois tratamentos com intervalo de duas semanas entre eles. 

Como evitar

É preciso adotar medidas de controle como o isolamento de animais doentes, desinfecção de materiais e instalações. Uma dieta correta, com suplementação adequada, principalmente de vitamina A, para animais jovens em confinamento, pode ser considerada como uma medida auxiliar, visto que a susceptibilidade à infecção é maior nos animais subnutridos.


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Diarréias

Apesar do aprimoramento das técnicas de manejo e das estratégias de prevenção e tratamento, as diarreias continuam sendo o problema mais comum e oneroso que afeta os bezerros nas fases iniciais da vida.

Todo criador sabe da importância das diarreias de bezerros sobre a lucratividade da empresa rural. Além das perdas imediatas, geram prejuízos econômicos expressivos atribuídos à perda de animais por morte ou descarte precoce, redução no ganho de peso e crescimento, mão-de-obra para manejar os bezerros doentes, custos dos medicamentos e com honorários do Médico Veterinário.

A crescente tendência de intensificação dos sistemas de produção visando obter maior lucratividade tem causado aumentos significativos na incidência destas doenças.

As diarreias são doenças complexas e multifatoriais, que envolvem o animal, o ambiente, a nutrição e os agentes infecciosos. A ocorrência da doença depende da relação entre a condição imunológica dos bezerros e a carga infectante a qual eles estão submetidos. Vale lembrar que os bezerros com menos de 30 dias de vida ainda são altamente dependentes da imunidade passiva, recebida na colostragem, e que uma alta porcentagem dos bezerros (aproximadamente 40%) apresenta falhas na transmissão desta.

Diarreia não é uma doença por si só. Na verdade ela é um sintoma, um sinal comum a diversas doenças. Na prática, não é fácil determinar com exatidão qual doença está acometendo um animal com diarreia, até porque, muitas vezes, mais de um agente está envolvido simultaneamente. De qualquer maneira, uma grande quantidade de bactérias (Escherichia coli, Salmonella spp.), vírus (Rotavirus, Coronavirus), protozoários (Eimeria spp., Cryptosporidium sp.) e helmintos estão envolvidos nos quadros de diarreia.

É importante lembrar que infecções mistas, com dois ou mais patógenos envolvidos, são muito mais comuns que infecções por um único agente, e que os patógenos que são problema em uma propriedade podem mudar a cada ano. Além disso, em muitos casos um problema nutricional não detectado pode estar combinado com agentes infecciosos.

O principal fator predisponente para o aparecimento das diarreias é a falha na transmissão da imunidade passiva, entretanto, por ser uma doença multifatorial, as interrelações animal-ambiente assumem uma importância fundamental e interferem no desenvolvimento da resposta imune. Destacam-se as seguintes condições como predisponentes:

Higiene: instalações e utensílios em condições sanitárias precárias, alta densidade e falta de agrupamento de animais por faixas etárias, baixa qualidade da água. 

Nutrição: dietas que não atendem aos requisitos nutricionais, fornecimento de leite em quantidade e intervalo de tempo incorretos, sucedâneos do leite de baixa qualidade nutricional, alimentos mofados ou deteriorados. 

Outras doenças concomitantes: principalmente infecções respiratórias e umbilicais. 

A tabela apresenta a distribuição dos principais agentes causadores de diarréia, de acordo com a idade dos bezerros:

Agente Idade (dias)

E. coli enterotoxigênica < 3

Coronavírus 05 - 21

Rotavírus 05 - 15

Salmonella 05 - 42

Criptosporidium 05 - 35

Eimeria > 20

Helmintos > 15

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003)

Rotavírus é a causa mais comum de diarreia em bezerros recém-nascidos, entretanto, infecções por Coronavírus e por E. coli enterotoxigênica apresentam maiores taxas de mortalidade, tornando maior o seu impacto econômico.

Diarreia de origem nutricional também pode ocorrer. O bezerro jovem é extremamente limitado em termos de digestão de nutrientes durante as 3 primeiras semanas de vida e este fato está diretamente relacionado à ausência e inatividade de algumas enzimas digestivas. A atividade da maior parte destas enzimas aumenta a partir da 3ª semana de vida, permitindo a utilização de maior diversidade de ingredientes na formulação das dietas. Sucedâneos do leite contendo alta inclusão de proteínas de origem láctea asseguram os melhores desempenhos das bezerras até 30 dias de vida devido, principalmente, à maior digestibilidade, excelente perfil de aminoácidos e inexistência de fatores anti-nutricionais. 

A ocorrência de diarreias em bezerros jovens é frequentemente súbita e aguda. Os animais tornam-se rapidamente desidratados, embora os sinais clínicos possam ser pouco perceptíveis. A avaliação da quantidade de água perdida é importante para determinação da estratégia de reidratação. Os animais com diarreia tornam-se rapidamente desidratados, com perdas potenciais de 6 a 12% do volume de seus fluidos corporais em apenas um dia.

Como reconhecer

Grau de desidratação e sinais clínicos associados

Perda de água corporal (%) Sinais Clínicos

0 - 5 Leve depressão e diminuição no volume urinário

6 - 8 Olhos fundos, perda de elasticidade da pele, depressão, bocas e narinas ressecadas, maior redução no volume urinário.

9 - 11 Sinais clínicos listados mais pronunciados, extremidades frias, animal em decúbito.

12 - 14 Choque e morte.

Adaptado de FISHER & MARTINEZ (1975)

Como tratar

A chave para o sucesso no tratamento das diarreias é a rápida detecção do problema e intervenção imediata, com administração de uma solução bem balanceada para reidratação oral contendo eletrólitos e nutrientes. Se a reidratação for feita logo no início da diarreia, a taxa de sucesso do tratamento pode chegar a 95% ou mais. Por muitos anos, recomendou-se a suspensão do fornecimento de leite ou sucedâneo, aos primeiros sinais de diarreia. Felizmente, esta prática está sendo abolida, pois priva os animais de sua principal fonte de nutrientes e água. A recuperação dos bezerros é acelerada quando a dieta líquida está associada à hidratação oral, pois ocorre uma diminuição na perda de peso dos animais. A tabela abaixo mostra um exemplo de solução para hidratação oral, que tem apresentado excelentes resultados a campo.

Solução eletrolítica utilizada para hidratação oral de bezerros

Ingrediente Quantidade (g)

Cloreto de Sódio 5,0

Cloreto de Potássio 1,0

Bicarbonato de Sódio 4,0

Glicose 20,0

Água 1 litro

Adaptado de FACURY FILHO et al. (2003).

Esta fórmula pode ser utilizada em todos os tipos de diarreia. A hidratação oral pode ser feita com sucesso até 8% de desidratação. Acima disso, deve-se avaliar o potencial de retorno econômico do animal antes de instituir tratamentos onerosos. Nestes casos, o déficit deve ser corrigido por via intravenosa, continuando posteriormente com a hidratação oral. A quantidade de fluido a ser administrada por bezerro deve ser calculada da seguinte forma:

Déficit = peso vivo x % desidratação

Mantença = 50 a 100ml/Kg PV

Perdas antecipadas = 50ml/Kg de PV

A quantidade total deverá ser fornecida aos bezerros num período de 24h. A solução não deve ser administrada junto com a dieta líquida, respeitando-se um intervalo de 2h, para não haver interferências na digestão. Bezerros com menos de 30 dias de vida não digerem sacarose (açúcar comum), portanto, não se deve utilizá-la em substituição à glicose.

A antibioticoterapia deve ser utilizada em quadros em que os animais apresentarem febre e depressão severa. 

Como evitar

Existem quatro metas principais de um manejo efetivo para prevenção de diarreias:

Fornecimento de colostro de alta qualidade e em quantidades adequadas o mais rápido possível após o nascimento dos bezerros; 

Redução do estresse e do desafio infeccioso dos animais, propiciando-lhes instalações limpas, secas, bem dimensionadas e higienizadas com acesso fácil à água de boa qualidade física e microbiológica; 

Fornecimento de dietas balanceadas para suprir os requisitos nutricionais, assegurando que os bezerros estejam saudáveis e mais resistentes às doenças; 

Observações frequentes dos animais para assegurar tratamentos rápidos e adequados aos doentes. 

Produtos Vinculados: Antidiarréico, Oxitrat-LA, Vetflogin


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Ectima contagioso

É uma doença infecciosa contagiosa causada por vírus, que acomete ovinos e caprinos e ocorre com mais freqüência nos animais jovens podendo, entretanto, atingir também os adultos. é caracterizada pelo aparecimento de crostas na boca, podendo estender-se ao focinho, orelhas, pálpebras e raramente ao aparelho genital e coroa dos cascos. é conhecida também por Dermatite Pustular Contagiosa ou Boqueira.

A transmissão pode ocorrer por contato direto ou indireto. O vírus pode persistir por vários anos nas pastagens ou instalações.

Como reconhecer

O primeiro sinal é o aparecimento de manchas vermelhas que se transformam em vesículas e depois de 2 a 3 dias em pústulas que se rompem e secam formando uma crosta escura semelhante a verruga. Depois de 10 dias estas crostas caem deixando a pele sujeita a infecções secundárias.

Além dos lábios, pode haver formação de pústulas na gengiva, narinas, úbere e em outras partes do corpo. Os lábios ficam engrossados, sensíveis e os cabritos têm dificuldade de se alimentar, emagrecendo rapidamente. 

Como tratar

A infecção é em geral autolimitante. Nas vesículas deve-se passar glicerina iodada e pomadas cicatrizantes diariamente até que elas sequem. é muito importante isolar os animais. O tratador deve se precaver utilizando luvas no momento de cuidar dos animais.

Como evitar

É prevenida pela manutenção do rebanho isento do vírus, mediante a não introdução de animais infectados. 

A vacinação deverá ser feita em todo rebanho, e em todos os cordeiros nascidos após dois meses de vida, e deve ser aplicada por via cutânea, fazendo-se uma pequena escarificação na parte interna da coxa.


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Enterotoxemia

É uma doença de bovinos, ovinos e caprinos, de alta mortalidade, causada pelas toxinas da bactéria Clostridium perfringens tipo D, também, conhecida como Doença de Rim Polposo. Afeta principalmente animais de 3-10 dias de idade, mas nessas espécies pode acometer animais de qualquer idade ou sexo e merece destaque pela capacidade de provocar morte. 

Em bovinos, a Enterotoxemia pode ser causada pelos Clostridium perfringens tipos A, B, C, e D e afeta ocasionalmente bezerros jovens, de 5-20 dias de idade. 

A doença acontece quando há proliferação dessa bactéria no intestino com formação de toxinas, devido às condições especiais de alimentação como: alta ingestão de leite ou pastagens verdes de alta qualidade e, em animais confinados, pela ingestão de grandes quantidades de concentrados.

Como reconhecer

É uma doença que mata muito rápido, em torno de 2-8 horas, por isso dificilmente observam-se sinais clínicos. Quando esses sinais são observados eles são relacionados ao sistema nervoso caracterizados por marcada depressão, opistótono (pescoço duro e voltado para trás), movimentos de pedalagem, coma e morte.

Como tratar

Não há tempo para realizar o tratamento.

Como evitar

Vacinar todo o rebanho com vacinas polivalentes. Nos animais jovens a primeira deve ser aos 2 meses de idade e a segunda 30 dias após a primeira, com revacinação anual. Deve-se vacinar as ovelhas a cada 6 meses e fazer com que uma dessas doses seja realizada no terceiro mês de gestação.

Em casos de surtos, diminuir a quantidade de alimentos fornecidos, colocando os animais em áreas com menor disponibilidade de forragens por um período de 30 dias após a aplicação da vacina.

Produtos Vinculados: Poli-R, Poli-Star.


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Febre Aftosa

É uma doença infecto-contagiosa de notificação obrigatória. No Brasil é causada pelos vírus “A”, “O” e “C”, os quais se espalham facilmente e rapidamente, ultrapassando barreiras geográficas. Acomete todos os animais domésticos biungulados (duas unhas): bovinos, ovinos, caprinos e bubalinos, além dos animais selvagens, como: veados, capivaras, porcos do mato, etc. 

É transmitida através de: contato direto de animais sãos com os animais doentes; utensílios contaminados (mãos, roupas, calçados, baldes, cordas, cabrestos, etc.); veículos que transportam animais; água contaminada; cochos e pastos que foram utilizados por animais doentes. A saliva de animais doentes não é a única fonte de vírus para o ambiente, mas com certeza é a mais potente. 

Suas consequências são desastrosas para todos, pois ocorre diminuição da produção e produtividade na ordem de 25%, abate de todos os animais na área de foco (doentes e sadios), fechamento das exportações de animais e de todos os produtos e subprodutos de origem animal.

Hoje a palavra de ordem é erradicar, acabar com essa doença e, erradicar a aftosa no país é tão possível quanto necessário. Acabar com a aftosa será o maior passo da pecuária brasileira em direção às criações altamente tecnificadas.

As vacinas produzidas no Brasil passam por um controle rígido do governo e dos laboratórios. Em busca da qualidade das vacinas, os laboratórios fizeram com que os pecuaristas tivessem à disposição as vacinas mais cuidadosamente produzidas no mundo. O importante é aplicá-las e aplicá-las corretamente.

Como reconhecer 

O animal doente apresenta-se abatido, com febre, pelos arrepiados e feridas (aftas) na língua, gengivas, úbere e entre as unhas, baba muito e tem dificuldade para se alimentar.

Como tratar

Não existe tratamento para a febre aftosa. Onde ela ocorre, os animais da propriedade afetada e no seu entorno deverão ser sacrificados, tanto os doentes como os sadios.

Como evitar

O combate à aftosa é uma questão de consciência. A erradicação na sua propriedade e no país vai acontecer quando duas medidas básicas se tornarem automáticas: vacinação e vigilância sanitária.

Esquema de vacinação: 

1ª DOSE: realizar a primeira dose até os 4 meses de idade. 

2ª DOSE: reforço 90 dias após a 1ª dose.

Revacinar todos os animais a cada 6 meses. 

Outros esquemas de vacinação poderão ser adotados a critério das autoridades sanitárias e sob a responsabilidade delas. A Vigilância Sanitária é uma função do governo, mas na realidade a responsabilidade é rigorosamente de todos. 

Quando o assunto é febre aftosa não adianta apenas saber da época da campanha de vacinação. É preciso participar, estimular os vizinhos, cooperar com o governo vacinando todo o rebanho e colocando em prática as normas sanitárias.

Respeite os controles de fronteiras, não entre no “conto da nota fria”, não jogue vacina fora e não deixe de vacinar. O país agradece e você leva o lucro.

Produto vinculado: Bovicel.


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Foot Rot

É uma doença infecciosa crônica com ferimento entre as unhas e deslocamento do casco, causada por duas bactérias chamadas de Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum, exalando odor fétido, que ocorre, principalmente, em ambientes úmidos e de pouca ou nenhuma condição higiênica. 

Como reconhecer

Lesão no casco, animal com dificuldade de locomover (manqueira), apático, perda de peso, queda na produção de lã e dificuldades reprodutivas em carneiros, além de deslocamento total do casco nos casos agudos.

Casos graves com lesões nos cascos anteriores fazem com que os animais pastem ajoelhados.

Como tratar

Colocar o animal em local seco e limpo;

Limpar e lavar o casco, retirando todos os tecidos necrosados e fazendo a apara do casco;

Fazer curativos diários com pomada antibiótica ou solução de sulfato de zinco ou cobre 5% a 10 %; 

Deve ser realizado, também, o tratamento parenteral através da aplicação intramuscular de penicilina G Procaína na dose de 50.000-70.000 UI/Kg de peso e Diidroestreptomicina ou Estreptomicina na dose de 50-75 mg/kg de peso. 

Como evitar

Evitar o acesso e permanência dos animais em pastos encharcados e em pisos úmidos. Observar o crescimento dos cascos e apará-los duas vezes ao ano.

Passar os animais em pedilúvio, preenchido com solução de sulfato de cobre ou zinco 5 % ou 10 %, formol a 5 % ou cal virgem, uma vez por semana. 

Descartar animais com doença crônica nos cascos e evitar a compra de animais com lesões nos cascos. 

Vacinar os animais, estrategicamente, fazendo a vacinação nos períodos mais favoráveis ao aparecimento da doença. Fazer uma dose de reforço em ovelhas no terço final da gestação.

Selecionar os animais resistentes à doença. 

Produtos Vinculados: Bioxell, Oxitrat-LA, Oxitrat-LA Plus


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