Doenças


Aborto

O aborto trata-se da interrupção da gestação decorrente de uma infecção placentária e/ou fetal ou fatores ambientais não infecciosos. A determinação das causas do aborto infeccioso é de fundamental importância para o controle sanitário em uma propriedade.

O aborto pode ocorrer por diversas causas, como, por exemplo, os agentes infecciosos ( Brucella sp, Leptospira sp, Mycoplasma sp, Listeria monocytogenes, Haemophilus sp, Corynebacterium pyogenes, Staphylococcus aureus, vírus da língua azul, vírus da febre aftosa, vírus da IBR, vírus da BVD, Neospora caninum, Tritrichomonas foetus , Campylobacter foetus subesp. venerealis, Chlamydophila sp., Aspergillus sp.); fetos com defeitos genéticos, mumificados ou macerados; desequilíbrios hormonais na gestação; toxinas; estresse; uso impróprio de medicamentos; desequilíbrios nutricionais, principalmente de vitamina A, vitamina E, selênio, iodo e magnésio; manejos inadequados (transportes); prenhez gemelar; acidentes traumáticos (porteiras de mangueiros, quando dos apartes e até mesmo os provocados, etc.); intoxicações por nitratos, plantas tóxicas, micotoxinas, etc.; fatores hereditários; hidrocefalia, etc. O feto abortado constitui-se no melhor material para a análise.

O controle de abortos em um rebanho baseia-se no diagnóstico do fator ou fatores responsáveis pelo mesmo. Tal diagnóstico deve ser feito por médico veterinário, se possível com o apoio de um laboratório de análises.

Estudos evidenciam que em 90% dos casos de abortamento com etiologia esclarecida, esta é de origem infecciosa. Assim, o aprimoramento nas práticas diagnósticas em casos de abortamento é elemento chave para se conhecer a(s) verdadeira(s) causa(s) de ocorrência do processo, para a adoção de medidas profiláticas e terapêuticas, possibilitando o aumento da produtividade do rebanho. Na maioria das condições de abortamento são comprometidos o tecido uterino, a placenta e o feto.

Como reconhecer

Ocorrência freqüente de aborto nos animais da propriedade não é normal. O índice esperado de abortamentos em um rebanho bovino é de 1 a 2%. Índice de 3% é um sinal de alerta, sendo níveis superiores indicativos de processos mórbidos.

Como tratar

Fazer o diagnóstico da causa do aborto e, se possível, fazer o tratamento adequado.

Geralmente a causa dos abortamentos é múltipla, existindo em alguns casos a associação de diferentes agentes.

Como prevenir

Definir o diagnóstico da causa do aborto é essencial para determinar o destino da matriz e as medidas profiláticas aplicáveis ao rebanho, caso sejam necessárias para a sua prevenção.


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Acidente Ofídico (Picada de Cobra)

O Acidente Ofídico é o envenenamento de homens e animais pela picada de cobras venenosas através da injeção de suas toxinas (veneno). 

Noventa por cento dos casos de acidentes com picada de cobra em bovinos no país são provocados por serpentes venenosas do grupo botrópico: jararaca, jararacuçu, caiçara, urutu, cotiara e cruzeira. Espalhadas pelo Brasil inteiro, causam problemas difíceis de se lidar no dia-a-dia da empresa rural. Com uma frequência menor, mas não menos grave, estão os acidentes com cascavel do grupo crotálico (cerca de 9% dos casos). A cobra-coral, do grupo micrurus, raramente cria caso com bovinos (apenas 1% dos casos).

Mais raros ainda, mas que podem ocorrer, são os casos de picada de surucucu, de pico de jaca e surucutinga, todas do grupo laquésico. Acontecem de quando em quando, em algumas regiões do Brasil, principalmente na região Norte.

Muitos casos de morte de animais que ocorrem em todo o Brasil, principalmente bovinos e equinos, ainda são considerados culpa das cobras. Entretanto já se sabe que isso não é verdade. Precisamos diagnosticar as mortes, através de um veterinário, porque muitas doenças matam rapidamente e com características de envenenamento por cobras como manqueira e intoxicação por plantas. Por isso precisamos saber o que realmente está acontecendo, para tomarmos as medidas corretas de prevenção. 

Como reconhecer

Cada tipo de cobra provoca um tipo de sintoma. Como 90% dos casos são picadas de cobras do tipo da jararaca (grupo botrópico), é aconselhável memorizar os sintomas por elas provocados.

No caso dos bovinos é raro presenciar o momento da picada. O principal sinal é um inchaço no ponto da picada, frequentemente nas patas. Marcas deixadas pelos dentes da cobra nem sempre são visíveis. Dependendo da quantidade de veneno injetado pela cobra, esse inchaço pode se espalhar e, com a evolução, causar necrose local do tecido e o aparecimento de grandes feridas. Quando as lesões são muito extensas, a dor forte deixa os animais abatidos e sem apetite. 

As picadas de cascavel e cobra-coral, todavia, não provocam esse quadro. Não há sinais no local da picada. Nota-se uma perturbação geral do animal, que se apresenta inicialmente agitado e, em seguida, abatido, podendo chegar até a inconsciência. Hemorragias podem ocorrer em acidentes com cascavéis.

Como tratar

Antes de pensar em qualquer tipo de tratamento, o importante é lembrar de não amarrar o membro atingido, nem aplicar qualquer tipo de garrote. Essa prática é muito comum, mas apenas agrava mais ainda as lesões da picada. Da mesma forma, não se deve cortar ou abrir a ferida e muito menos sugar ou aspirar no ponto de lesão. Os animais acometidos devem ser mantidos em um local isolado, em repouso. A única terapia efetiva é o soro antiofídico.

Existem vários tipos de soros antiofídicos, um para cada tipo de cobra. O soro antibotrópico é o mais importante para se ter em estoque, devido a sua alta incidência em bovinos (90%). Caso a ocorrência de picadas por cascavel seja freqüente convém ter também o soro anticrotálico. Existem ainda soros polivalentes. Tratamento de suporte ou sintomático também pode auxiliar, dependendo do caso.

Como evitar

Não é possível pensar em diminuir a população de cobras em uma fazenda, até porque elas participam de um delicado equilíbrio ecológico, mantendo sob controle as populações de ratos e outros roedores. Assim, é importante que toda fazenda tenha uma boa quantidade de soro antiofídico em estoque. Convém sempre checar a data de validade do soro e assegurar-se de que sejam mantidos sob refrigeração.

No caso do homem, o uso de botas diminui significativamente a ocorrência de casos de picadas de cobra.


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Acidose

Acidose é uma doença metabólica aguda, causada pela ingestão súbita de dietas com excesso de carboidratos, como grãos (trigo, milho, aveia, sorgo) ou outros alimentos altamente fermentáveis (silagem em geral) em grandes quantidades.

É caracterizada por perda do apetite, depressão e morte. É também conhecida por "sobrecarga ruminal", "indigestão aguda", "impactação aguda do rúmen" ou "indigestão por carboidratos". 

Ocorre principalmente em criações de bovinos de corte e leite. A doença é essencialmente aguda, mas ocasionalmente pode ocorrer de forma crônica.

A doença é observada em bovinos de todas as idades e de ambos os sexos. Desenvolve-se mais comumente nos casos de mudanças bruscas no regime alimentar ou pelo acesso acidental do animal a grandes quantidades de grãos ou qualquer outro alimento facilmente fermentável, com os quais os animais não estejam adaptados, sendo mais comum nas fases iniciais do processo de engorda. Tem-se observado um aumento no número de surtos de acidose, em consequência do crescimento dos confinamentos, principalmente durante o inverno quando há escassez de forragem. 

A quantidade de alimentos necessária para causar um quadro agudo depende do tipo de grão, de contato anterior do animal com este alimento, do estado nutricional e do tipo de microflora ruminal apresentada pelo bovino.

Como reconhecer

Os sintomas ocorrem em poucas horas (12 a 24 h) após a ingestão do alimento com quantidades tóxicas de carboidratos. Inicialmente o animal pára de se alimentar e apresenta sintomas de cólica (inquietação, chutes no ventre, mugidos etc.), passando para um quadro de inapetência e depressão, acompanhado de parada da ruminação e aumento da frequência respiratória, fezes pastosas com coloração amarelada ou acinzentada, diarreia e timpanismo. Nos casos mais severos, os animais apresentam apatia, prostração, mucosas pálidas, febre, respiração difícil, cegueira e incoordenação, que podem culminar na morte do animal após um a três dias, ou em sua recuperação, com lenta retomada da alimentação, quase sempre acompanhada de laminite.

Alguns animais apresentam melhoras temporárias, mas voltam a adoecer gravemente após alguns dias, provavelmente devido a uma ruminite aguda que progride para um quadro de peritonite difusa, com morte do animal. Dentro de um mesmo lote, o grau de apresentação dos sintomas é variável de animal para animal. 

O diagnóstico deve se basear na observação dos sinais clínicos associados a um histórico de alimentação com grandes quantidades de grãos ou outros alimentos facilmente fermentáveis, além de achados de necropsia.

Como tratar

As principais medidas a serem tomadas são: retirada do conteúdo ruminal e correção da desidratação e da acidose. O uso de laxativos alcalinos como bicarbonato ou carbonato de magnésio na dose de 200-450 g/animal é satisfatório apenas nos casos leves. Nos casos graves é necessário o uso de sonda para esvaziamento do conteúdo ruminal. O uso de óleos e anti-fermentativos poderão ser úteis para auxiliar a evacuação e para reduzir a absorção de ácidos e toxinas. Após o esvaziamento do rúmen, administrar 5-20 litros de conteúdo ruminal proveniente de animais sadios.

A correção do desequilíbrio hidroeletrolítico deve ser feita por meio da administração intravenosa de soluções isotônicas e bicarbonato de sódio a 5% (5 litros para cada 450 kg de peso). É importante restringir o consumo de água em animais doentes, visto que o consumo exagerado de água pode causar indesejável distribuição dos fluidos corporais, com agravamento do desequilíbrio eletrolítico. Durante o período de recuperação, o animal deve receber água e volumoso de boa qualidade, sendo os grãos reintroduzidos gradualmente à dieta do animal. 

Antibióticos, tais como a penicilina (5-10 milhões de UI/animal adulto) ou a tetraciclina (8-10 g/animal adulto), administrados oralmente, são capazes de controlar o crescimento de bactérias produtoras de ácido láctico. No caso de necessidade de rumenotomia deve-se levar em conta o custo x benefício. Muitas vezes o abate se torna a opção mais econômica. 

Como evitar

As medidas mais eficazes são aquelas que buscam evitar o acesso acidental de animais a grandes quantidades de grãos e a adoção de um bom esquema de adaptação, com mudança lenta e gradual ao concentrado. Para iniciar a alimentação com grãos ou seus subprodutos, a quantidade diária não pode ultrapassar 0,3% do peso do animal por 2-4 dias. A partir daí, o aumento deve ser gradual chegando após 21 dias a 1%. 

A adoção de produtos tamponantes na ração é válida para a prevenção do problema em animais confinados que recebem grandes quantidades de grãos. A substância tamponante mais comumente usada é o bicarbonato de sódio, usado na proporção de 1,0-2,0% do concentrado. Trabalhos recentes mostram que o bicarbonato de sódio pode ser substituído pelo bicarbonato de potássio ou carbonato de potássio. Outra substância tamponante é o óxido de magnésio que pode ser usado na proporção de 0,2 a 0,3% da ração seca total (Boin, 1992). O uso de ionóforos (monensina sódica ou lasalocida) também é indicado para diminuir a incidência de acidose, pois segundo Price (1985), impedem a ação do S. bovis e inibem a presença de bactérias produtoras de metano. 

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Actinobacilose

Actinobacilose é uma doença infecciosa crônica e granulomatosa, causada por uma bactéria chamada Actinobacillus lignieresii, que afeta os tecidos moles. A bactéria penetra e causa a doença quando há lesão na mucosa da boca, que pode ocorrer por traumatismos por alimentos fibrosos ou grosseiros.

É uma doença que atinge bovinos de qualquer idade, mas pode ocorrer com menor frequência em ovinos, suínos e equinos. As lesões localizam-se principalmente na língua e nos linfonodos da cabeça e do pescoço.

É conhecida como doença da “Língua de Pau” ou “Língua de Madeira”.

Como reconhecer

O animal apresenta: perda de apetite; salivação intensa; dificuldade de mastigar e se alimentar; língua aumentada de volume, dura e dolorida. Podem ser também encontradas lesões nos lábios, palato, faringe, fossas nasais e face, as quais, quando difusas, causam um quadro clínico denominado de “Cara de Hipopótamo”. Neste caso há comprometimento dos linfonodos regionais, os quais se encontram aumentados de volume, duros, frios, inodoros e, às vezes, com presença de pus.

Clinicamente a doença caracteriza-se pela presença de granulomas duros, com conteúdo purulento nos tecidos moles, nas regiões da cabeça e pescoço, principalmente. 

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, sulfas ou estreptomicina, por via intramuscular durante 5 -7 dias, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/12 kg de Peso, por via intravenosa e em dose única. O tratamento apresenta eficácia limitada.

Como evitar

Isolar animais doentes, evitando que haja contaminação de alimentos (pastagem, água, ração) pela secreção das lesões e, evitar a alimentação grosseira que pode causar traumatismos na boca.


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Actinomicose

Actinomicose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria denominada Actinomyces bovis, que acomete bovinos de qualquer idade e outras espécies como ovinos, suínos e equinos. Para a doença ocorrer, este microorganismo patogênico oportunista necessita que haja um traumatismo penetrante ou contundente.

Como reconhecer

Aparecimento de um inchaço duro na boca, geralmente na parte de trás da mandíbula, que aumenta de tamanho lentamente durante meses, mas em alguns casos é de evolução rápida (30 dias); Aparecimento de pus com grumos pequenos (semelhantes a grânulos de enxofre), Dor, Amolecimento e Perda dos dentes, Dificuldade para se alimentar, Emagrecimento progressivo e Perda de peso.

Como tratar

Uso de antimicrobianos à base de penicilinas, preferencialmente, sulfas ou estreptomicina por via intramuscular, acompanhado de solução de iodeto de potássio a 10% na dose de 1 g/ 12 kg de peso por via intravenosa em dose única. Entretanto, o tratamento tem eficácia limitada.

Como evitar

Separação de animais doentes do resto do rebanho.


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Berne

Berne é uma ectoparasitose causada pela larva de uma mosca chamada Dermatobia hominis, muito comum no Brasil. Durante o vôo, a mosca adulta do berne põe seus ovos em outra mosca qualquer (moscas vetoras). Estas, ao pousarem no gado, depositam os ovos.

Dentro de alguns minutos esses ovos liberam as larvas, as quais perfuram o couro do animal e permanecem no local durante aproximadamente 35 dias. Após este período, caem no solo e passam por outras transformações, até se tornarem moscas adultas, fechando o ciclo. A população bovina está sujeita a infestações mais intensas durante os períodos de maior temperatura e precipitação pluviométrica.

O berne acarreta prejuízos da ordem de US$ 250 milhões de dólares por ano no Brasil, devido à ação irritante de suas larvas, perda na produção de leite e de carne e danos ao couro. Estima-se que uma infestação média de 20 bernes em um animal, no período de um ano, acarrete uma perda de peso de aproximadamente 20 kg. O berne pode atacar outras espécies animais como: cães, ovelhas, caprinos e inclusive os humanos. No homem, as larvas penetram e formam nódulos, principalmente nas partes mais altas do corpo.

Como reconhecer

O diagnóstico é feito pela constatação dos nódulos com as larvas sob a pele. Além disso, ao se movimentarem no couro do animal elas causam dor e irritação que prejudicam o estado geral do animal. Os nódulos podem ser contaminados por bactérias, originando abcessos. 

Como tratar

Os tratamentos são feitos com inseticidas à base de organofosforados na forma de pulverização, banhos de imersão ou aplicação pour-on. Pode-se também optar por tratamentos com produtos endectocidas (avermectinas) pour on ou injetáveis.

Como evitar

Deve-se aplicar o controle estratégico no rebanho bovino, ou seja, a realização de duas aplicações por ano, sendo a primeira no início da estação seca com piretróide na forma de pulverização, imersão ou pour on e a segunda no início das águas, com produtos à base de organofosforados. Estas aplicações visam eliminar principalmente os vetores. 

Outra medida importante de manejo a ser realizada é a limpeza das pastagens (roçada), para evitar a presença da mosca-do-berne, pois é uma característica da mesma ficar em locais sombreados e com temperaturas amenas. O controle da mosca-do-berne deve ser regional e realizado em todas as propriedades vizinhas para ser realmente efetivo. 

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Bicheira

Bicheira é a designação usual e popular da doença que cientificamente recebe o nome de miíase cutânea. Esta enfermidade é caracterizada pela infecção da pele dos animais por uma grande quantidade de larvas da mosca chamada Cochliomyia hominivorax. 

As fêmeas destas moscas depositam seus ovos sobre as feridas e, depois de aproximadamente um dia de incubação, surgem as larvas. Depois de maduras, as larvas caem no solo e passam por transformações até chegar à forma adulta e iniciar um novo ciclo. 

As larvas da mosca da miíase invadem apenas tecidos vivos, ou seja, feridas expostas dos animais e também dos humanos, produzindo graves lesões. Essas lesões que são as miíases primárias são também chamadas de traumáticas, podendo aparecer ainda as secundárias, que são causadas por larvas que se alimentam de tecidos já necrosados. 

As bicheiras são mais abundantes durante os meses mais quentes do ano, como os de verão, coincidentemente com os maiores períodos de chuvas. Nesse período uma alta população da mosca causadora das bicheiras encontra-se nos arredores das florestas, locais onde se concentram os bovinos e animais silvestres.

Os prejuízos à pecuária brasileira associados às miíases são estimados em US$ 150 milhões de dólares anuais. Estes prejuízos são decorrentes da diminuição da produtividade, gastos com tratamentos, danos ao couro e dependendo da localização e extensão das feridas parasitadas, até da morte dos animais.

Como reconhecer

Os sintomas são claros: caracterizam-se por uma ferida aberta com mau cheiro, com sangramentos e presença das larvas no local, ocorrendo necrose dos tecidos e, como consequência posterior, a possibilidade de retardamento do processo cicatricial.

Em lesões mais graves, o animal tem a sua vitalidade reduzida, podendo ocorrer a perda das funções dos tecidos lesionados. Nos ferimentos causados pelas bicheiras ocorrem invasões de microorganismos diversos, levando ao aparecimento de uma infecção purulenta, que piora o caso clínico do animal. Estas são as infecções secundárias causadas por bactérias.

As larvas da miíase são diferentes das larvas do berne: são bem menores e podem ser encontradas em grande número numa lesão, ao contrário dos bernes, que se instalam um a um.

As lesões em que as larvas se encontram não cicatrizam e, com isso, atrairão mais fêmeas adultas da mosca, que depositarão mais ovos, agravando progressivamente o quadro. Em função da rapidez da evolução da doença, bastam apenas poucos dias para que o animal apresente-se severamente afetado, muitas vezes de forma irreversível. Animais com extensas áreas do corpo tomadas pelas larvas emagrecem muito, ficam apáticos e com febre, podendo inclusive vir a morrer.

O diagnóstico é feito pela observação das larvas das moscas nos ferimentos abertos causados por amputação da cauda, castração, cortes com arame farpado, umbigo de animais recém-nascidos, áreas lesadas por picadas de carrapatos, ferimentos por plantas espinhosas, etc. Essas feridas apresentam um cheiro de podre, tecidos necrosados e sangramentos. 

Como tratar

Para o tratamento curativo das miíases são utilizados produtos organofosforados na forma líquida, pó, pasta, "spray" ou produtos injetáveis à base de avermectinas.

A forma mais eficiente de se tratar uma bicheira é colocar o produto inseticida na lesão com posterior remoção das larvas mortas. Uma característica da mosca da bicheira é colocar os ovos de dentro para fora da lesão, ficando na forma de camadas (interna, média e superficial), por isso, deve-se fazer a retirada das larvas para que se possa atingir as camadas mais profundas, fazendo com que o medicamento funcione corretamente. 

A utilização de antibióticos pode ser necessária para o tratamento de infecções secundárias.

Como evitar

Evita-se a enfermidade através do controle estratégico da mosca, ou seja, realizando dois tratamentos por ano. O primeiro no início da estação seca, com produtos à base de piretróides na forma de pulverização, imersão ou "pour on"; o segundo, no início da estação chuvosa, com produtos à base de organofosforados. 

Para o controle efetivo da mosca da miíase, essas aplicações devem ser regionais, ou seja, realizadas por todos os proprietários da área a ser controlada. Produtos endectocidas (avermectinas) também previnem as bicheiras.

Outras medidas preventivas importantes dentro de uma propriedade são o manejo correto dos animais, das pastagens e das instalações. Ao encontrar um animal com bicheira, este deve ser tratado imediatamente, evitando que se crie uma condição favorável que atraia as moscas. 

Medidas de como evitar ferimentos desnecessários devem ser tomadas e, se acontecer o ferimento, a sua assepsia tem que ser imediata. Fazer rodeio constante dos animais para uma inspeção de ocorrência de ferimentos. O umbigo dos bezerros recém-nascidos deve ser curado imediatamente após o nascimento. Não utilizar ferrão para o manejo dos animais. Fazer cercas de arame liso. Ter cuidado com marcação a ferro quente, fazendo-a nos locais corretos e evitando os dias de chuvas intensas.

 

 

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Botulismo

Botulismo é uma forma de intoxicação alimentar resultante da ingestão e absorção pela mucosa digestiva de potentes toxinas pré-formadas produzidas pela bactéria Clostridium botulinum, presente no solo, no trato gastrintestinal dos animais e em alimentos contaminados e mal conservados. 

Estamos falando de uma das doenças mais comuns no Brasil, e que causa prejuízos sérios para o produtor rural pela grande quantidade de animais acometidos e alta mortalidade que provoca. A doença acomete mamíferos domésticos e aves, e é caracterizada por uma paralisia motora progressiva dos músculos. As toxinas que causam o botulismo nos bovinos são as do tipo C e D.

Na pecuária, a ocorrência do botulismo está associada à ingestão de toxinas em resto de cadáveres em decomposição no pasto, águas rasas e paradas com resto de cadáveres ou não, grãos mal armazenados e em putrefação, feno úmido e em putrefação e rações armazenadas inadequadamente.

O botulismo é importante em regiões de solos pobres em fósforo, como o cerrado e campos nativos, sendo bastante disseminada no Brasil, principalmente devido à baixa suplementação mineral de boa parte do rebanho nacional, ou suplementação inadequada. Os animais acabam por adquirir o hábito de roer ossos e ingerir resto de cadáveres que podem estar contaminados com a toxina.

Geralmente ocorre na forma de surtos, daí os grandes prejuízos para o produtor. Mesmo depois de suprida a carência mineral, os animais mantêm o vício de roer ossos, podendo, com esse hábito, se contaminar. 

O botulismo é conhecido também como “Mal das Palhadas” e “Mal da Vaca Caída”. O homem pode ser acometido pela doença ao ingerir alimentos em conserva, os enlatados ou embalados a vácuo, contaminados.

Como reconhecer

A duração da doença varia dependendo da quantidade de toxina ingerida, sendo que, nos casos mais severos, a morte ocorre em algumas horas após o início dos sintomas.

Na fase inicial, os animais apresentam graus variados de embaraço, incoordenação, perda de apetite e dificuldade de se movimentar. Tem início, então, um quadro de paralisia muscular flácida progressiva, que começa pelos membros posteriores e faz com que os animais prefiram ficar deitados (em decúbito esternal) e, quando forçados a andar, o fazem de maneira lenta e com dificuldade (andar cambaleante e lento). A respiração abdominal se torna acentuada e o vazio do flanco torna-se fundo. Não há febre. Os animais podem sucumbir repentinamente se estressados. 

Com o avanço da doença, a paralisia muscular se acentua, impedindo que o animal se levante, embora ainda seja capaz de se manter em decúbito esternal, progredindo para os membros anteriores, pescoço e cabeça, que faz com que a cabeça fique junto ao solo ou voltada para o flanco e pesada. A paralisia muscular afeta a mastigação e a deglutição, levando ao acúmulo de alimentos na boca e sialorréia (baba). O animal apresenta diminuição dos movimentos ruminais. 

Na fase final o quadro de prostração se acentua, fazendo com que o animal tenha dificuldade para se manter em decúbito esternal, tombando para os lados (em decúbito lateral). A consciência é mantida até o final do quadro, quando o animal entra em coma e morre por insuficiência respiratória. 

Como tratar

Não existe tratamento. Para os animais com intoxicação crônica recomenda-se o tratamento sintomático, que visa dar condições, quando possível, para que o animal resista ao quadro clínico apresentado.

Como evitar

Para evitar o botulismo, três medidas são inevitavelmente necessárias:

1. Vacinação dos animais. A vacina deve ser aplicada em todo o rebanho, em duas etapas, com um mês de intervalo entre as mesmas. Recomenda-se que a primeira dose da vacina seja feita um mês antes das águas e da entrada do animal no confinamento. 

2. Mineralização do rebanho, pois a deficiência mineral é o principal responsável pelo hábito dos animais roerem ossos. A mistura mineral deve estar formulada para atender às necessidades da categoria animal para a qual será destinada, de acordo com as condições de solo e pastagens da propriedade. É importante também um correto esquema de distribuição, com cochos em quantidade suficiente (1 metro de cocho para 50 animais, no mínimo), de preferência cobertos ou em local de fácil acesso para os animais (próximos aos bebedouros, em áreas de descanso ou de maior pastejo). 

3. Eliminação das fontes de intoxicação, dando aos cadáveres um destino adequado: cremá-los e o que sobrar enterrar em local onde os bovinos não tenham acesso (longe de córregos e rios). Fazer um correto armazenamento do feno, da silagem e da ração, a fim de evitar material em decomposição. Evitar o consumo de águas rasas e paradas aos animais. Fazer inspeção e limpeza de bebedouros constantemente. 

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Brucelose

A brucelose bovina é uma doença infecciosa de caráter crônico, causada pela Brucella abortus. É uma zoonose (doença que é transmitida dos animais para o homem) de distribuição mundial que afeta o sistema reprodutivo dos animais (bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos e cães). 

Os principais meios de transmissão da doença são os alimentos contaminados com Brucella sp (pastos, rações, água) por líquidos e tecidos fetais de abortos. A transmissão, também, pode ocorrer pelo sêmen não tratado adequadamente de animal infectado.

A brucelose no homem é de caráter principalmente profissional, estando mais sujeitos a infectar-se as pessoas que trabalham diretamente com os animais infectados (tratadores, proprietários, veterinários) ou aqueles que trabalham com produtos de origem animal (funcionários de matadouros, laboratoristas).

No Brasil, a situação de brucelose não é diferente da maioria dos países. É uma doença endêmica que ocasiona perdas econômicas consideráveis ao produtor e à pecuária nacional. Estudos epidemiológicos e econômicos da doença são escassos, porém, há estimativas de que a doença em bovinos cause queda de 20 a 25% na produção de leite, 15% na produção de carne e 15% de perdas de bezerros por ano, decorrente dos abortamentos, sem contar as perdas genéticas e a desvalorização do rebanho. 

Como reconhecer

Deve-se suspeitar de brucelose em uma propriedade quando há ocorrência de aborto em vacas prenhes a partir do 6º mês de gestação. Outros sintomas ocorrem, como: nascimentos de bezerros fracos ou mortos, retenção de placenta, repetição de cio, metrite, aumento do intervalo entre partos, mastite atípica, infertilidade, queda na produção de leite, aumento de volume nas articulações e inflamação no ligamento da nuca. 

Nos touros, a brucelose causa aumento no tamanho de um ou dois testículos com inflamação, causando infertilidade e diminuição do apetite sexual. 

Como tratar

A legislação brasileira proíbe o tratamento de animais positivos para brucelose.

Como evitar

Para a prevenção da Brucelose bovina deve-se obedecer ao programa de vacinação de caráter obrigatório, com uma vacina elaborada com amostra viva atenuada B19 de Brucella abortus, e realizar testes sorológicos que levam ao diagnóstico da doença. 

De acordo com o estabelecido pelo Ministério da Agricultura e para cumprimento do PNCEBT, o programa de vacinação, deverá ser feito semestralmente, com duas campanhas anuais, cobrindo assim a maior parte dos nascimentos ocorridos durante o ano, vacinando as fêmeas entre 3 e 8 meses de idade. No Brasil, vacinam-se apenas bovinos.

Outras medidas de controle devem ser implantadas em uma propriedade, como: adquirir animais livres da infecção (teste negativo de brucelose). O ideal é adquirir animais apenas de rebanhos livres da doença; evitar o contato com animais de outras propriedades; descartar filhas de mães infectadas.

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Carbúnculo Sintomático

Carbúnculo sintomático é uma doença infecciosa endógena, conhecida também como "Manqueira", "Mal de Ano", "Peste de Ano", "Peste de Manqueira", "Quarto Inchado", que acomete principalmente animais jovens (de 6 meses a 2 anos de idade), geralmente bovinos e ovinos, mas também caprinos.

Pode acometer bovinos de até 3 anos de idade, não vacinados ou vacinados há muito tempo, transferidos de áreas onde a doença não ocorre para áreas contaminadas. Pode ocorrer, também, ocasionalmente em bezerros de 2-6 meses de idade. Tem como agente o Clostridium chauvoei presente no meio ambiente. Ele coloniza o intestino dos animais e espalha-se para o corpo através da circulação sanguínea, alojando-se na musculatura. A doença se desenvolve devido à ativação de esporos latentes na musculatura, associada a fatores como traumatismos musculares em geral. 

São altas as taxas de acometimento de bovinos em todo o Brasil e com elevada mortalidade, sendo comum a sua ocorrência após as chuvas. 

Como reconhecer

Doença que aparece rapidamente e mata, também sem demora, bovinos de até 2 anos de idade é sugestiva de carbúnculo sintomático, assim como a claudicação (manqueira) e a tumefação (inchaço) crepitante à palpação de grupos musculares, depressão, apatia e febre. O quadro clínico geralmente evolui para a morte do animal que pode acontecer em 1-2 dias. 

Como tratar

Os bovinos afetados podem ser tratados com altas doses de penicilina, mas como a doença tem um curso agudo, a maioria morre apesar do tratamento.

Como evitar

Vacinar todos os bezerros de 4-6 meses de idade anualmente. Quando se vacina animais antes de 6 meses de idade, uma segunda dose deve ser realizada 30 dias após a primeira.

Todos os animais que morreram acometidos por essa enfermidade devem ser retirados dos pastos, cremados com óleo diesel e madeira e os restos mortais enterrados profundamente para evitar a contaminação dos pastos e disseminação da doença. 

Produtos Vinculados: Monovacina, Poli-R, Poli-Star, Polivacina


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