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Saúde do Rebanho

SAÚDE DO REBANHO

Para que o empresário rural tenha sucesso no seu negócio é necessário que o seu rebanho esteja sempre em condições ótimas de saúde. É preciso dar essas condições para os animais e, para isso, não podemos nunca esquecer dos pontos básicos da sanidade: nutrição, manejo dos animais e do ambiente, medidas preventivas e treinamento de mão-de-obra.

- Nutrição: os animais precisam ter à sua disposição, durante todo o ano, água e comida de boa qualidade e em quantidade, suplemento mineral e vitamínico de boa qualidade e administrados corretamente.

- Manejo dos animais e do ambiente: fazer separação dos animais por faixa etária (categoria); evitar promiscuidade entre espécies diferentes de animais; cuidados especiais com vacas e bezerros no peri - parto (período pouco antes do parto e logo após o mesmo), pasto maternidade, pasto de vacas recém paridas, piquetes; colocar os animais recém adquiridos em pastos separados e fazer coleta de materiais para realização de alguns exames como brucelose, leptospirose, tuberculose, verminose, etc; reservar pastos de boa qualidade para animais logo após a desmama; fazer rotações de cultura, pastagens e de espécies animais; realizar conservação de solos, pastagens e nascentes; possuir infraestrutura mínima para instalações  e cercas; ter destino adequado de águas servidas e de estercos; evitar áreas alagadiças ou muito úmidas para permanência dos animais; destino adequado (queima) de carcaças de animais mortos, placentas e fetos abortados; evitar águas rasas e paradas; evitar pastos sujos e com presença de plantas tóxicas.

- Medidas Preventivas: Uso correto de vacinas e vacinações de todos os animais da propriedade; controle correto de endo e ectoparasitos (Controle Estratégico); cura de umbigo e administração do colostro ao bezerro imediatamente após o nascimento; realizar exames periódicos de algumas doenças como brucelose, leptospirose e verminose; fazer vigilância epidemiológica, ou seja, prestar atenção para uma possível chegada de doenças na propriedade; disponibilizar aos animais ambientes limpos, secos, confortáveis e higienizados.

- Treinamento de Mão-de-Obra: Realizar treinamentos periódicos para garantir uma mão de obra qualificada e capacitada para manter o bom desempenho e bem estar dos animais e da propriedade.

Hoje se fala muito em bem-estar animal e as exigências para garantir tal  fato são cada vez maiores. E bem-estar animal é toda ação que atenda às necessidades do animal para sobreviver em seu ambiente (manejo, nutrição, medidas preventivas, tratamento com o animal) buscando soluções efetivas para poder evitar sofrimento desnecessário e também limitar perdas econômicas. Os animais devem ter as 05 (cinco) liberdades recomendadas pela FAWC (Farm Animal Welfare Council), ou seja, devem estar livres de: fome e sede; desconforto; expressar seus comportamentos naturais; dor, injúria ou doenças; medo e aflição. Umas das maneiras de assegurar a saúde  e o bem-estar animal é o uso correto de vacinas (boas práticas de vacinação) e de medicamentos em geral. O ato de vacinar e de aplicar medicamentos em animais de produção, dentro de uma propriedade rural, é um dos trabalhos que exige uma responsabilidade muito grande entre todos os envolvidos.

Objetivo de uma vacinação é PREVENIR ou evitar que as doenças aconteçam em surtos.

A eficiência de toda e qualquer vacina depende de uma série de cuidados imprescindíveis como:

- Preparação para a Vacinação: Conscientizar todos os envolvidos no processo de que esse é um trabalho muito sério, que irá, junto com os outros pontos básicos, assegurar a saúde do rebanho, o bem-estar animal e o bom desempenho da propriedade. É importante realizar este trabalho de conscientização durante os treinamentos durante os treinamentos oferecidos aos envolvidos, relembrando sempre a importância deste trabalho. 

- Manejo dos Animais: Conduzir os animais para o curral de forma tranquila, para não atordoá-los, evitando com isso um estresse muito grande. A mesma coisa deve acontecer dentro do curral e no retorno aos pastos. O estresse acentuado prejudica, e muito, a ação da vacina, diminuindo a sua eficácia.

- Manejo com a Vacina e Vacinação: Diversos fatores podem interferir na ação da vacina, alterando assim sua eficácia. Para buscar a melhor eficiência das vacinas, segue abaixo uma lista de recomendações relacionadas ao bom uso de vacinas e de outros medicamentos.

  • Preparar o material de uso (agulhas, seringas) antes de iníciar as atividades: conferir a regulagem da seringa (pistola) para  a dose que será aplicada; esterilizar o vidro, o eixo (êmbolo), as agulhas e as borrachas que entram em contato com a vacina ou o medicamento. Observação: esterilizar, na fazenda, é ferver esse material por um tempo de mais ou menos 20 minutos. Escolher o calibre e o tamanho das agulhas de acordo com a via de aplicação, o tipo de consistência do produto a ser usado (aquoso, oleoso) e a categoria animal.
  • Não utilizar agulhas rombudas e/ou tortas.
  • Ao lubrificar a pistola (seringa) fazê-lo com óleo próprio para esse fim.
  • Arrebanhar os animais e manejá-los no curral e no tronco da melhor forma possível, evitando um estresse acentuado.
  • Vacinas têm que ser conservadas em temperatura entre 2 e 8 °C. Elas saem do laboratório nessa temperatura e precisam chegar até o animal da mesma forma. Uma vez congeladas não podem ser usadas, pois perdem totalmente sua eficácia. Portanto, na fazenda, as vacinas devem ser acondicionadas em geladeira própria para esse fim e fora do congelador. No seu deslocamento para o curral, devem estar em caixas de isopor com gelo. Ao retirá-las da caixa para encher a pistola, fazê-lo no menor tempo possível, voltando em seguida o frasco para dentro da caixa de isopor. No intervalo entre soltar os animais já vacinados e encher o tronco novamente, a pistola com a vacina, deve ser colocada dentro da caixa de isopor com gelo.
  • Não usar vacinas ou qualquer produto com prazo de validade vencido.
  • Agitar o frasco antes e durante o uso.
  • Vacinar à sombra.
  • Conter bem os animais para realizar a vacinação ou a aplicação de qualquer produto, fazendo o manejo sem correria.
  • Certificar-se de que o animal recebeu a dose correta da vacina ou de qualquer produto que está sendo usado.
  • Não guardar restos de vacinas ou de qualquer outro produto para uso posterior.
  • Trocar de agulhas a cada 10 animais vacinados.
  • Não colocar na mesma pistola (seringa) diferentes tipos de vacinas ou produtos. Vacinas e produtos diferentes devem ser aplicados em locais e com pistolas (seringas) diferentes.
  • Evitar vacinar ou aplicar medicamentos injetáveis em dias muito chuvosos e embarrados.
  • Não encher a pistola (seringa) de ar e injetar no frasco para facilitar a retirada da vacina ou de qualquer outro produto.
  • Retirar as bolhas que por ventura formem dentro da pistola (seringa), evitando com isso o erro na dose aplicada.
  • Em animais de produção, os locais corretos de aplicação de vacinas e qualquer produto injetável são: via subcutânea, na tábua do pescoço ou atrás da paleta; e intramuscular, na tábua do pescoço.
  • Vacinas vivas, após serem reconstituídas, devem ser usadas imediatamente. No caso da vacina contra a brucelose, não usar em bezerras que estão sendo tratadas com antibióticos ou imediatamente após esse tratamento. Esse período depende do tipo de antibiótico usado. Não usar nenhum tipo de desinfetante em agulhas ou seringas de aplicação que forem ser utilizadas para vacinar os animais contra a brucelose.
  • Vacinar somente animais saudáveis.
  • Vacina é a ferramenta mais importante na gestão da saúde de rebanho, portanto deve ser usada em rebanho e não individualmente.
  • Causas de insucesso numa vacinação: vacinar quando a doença já se encontra incubada; animais geneticamente incapazes de responder à vacina;  falhas vacinais devido: a imunidade passiva, animais debilitados ou estressados; falhas na vacina: vacina ineficaz, mal aplicada ou mal conservada, vacina imprópria (acha-se que existe uma determinada doença em um rebanho ou região e vacina-se contra essa doença, sem ter certeza se realmente é esse o problema. Muitas doenças possuem sinais e sintomas semelhantes, por isso é necessário o diagnóstico feito pelo veterinário)
  • O uso de medicamento para tratamento de doenças só será eficaz se a enfermidade for diagnosticada rapidamente, realizando-se a medicação correta o mais rápido possível após o inicio dos sintomas clínicos. Além de medicamentos, outras medidas devem ser contempladas para auxilio na recuperação do animal. Tais medidas são: colocar o animal em um ambiente limpo, seco, confortável, higienizado e ventilado; fornecer água e alimento de boa qualidade e em quantidade; acompanhar o animal para ver como está se comportando em relação ao tratamento.
  • Medidas corretas para uso de antibióticos (antimicrobianos) 
    • Antes de usar antimicrobianos, consulte um veterinário;
    • Diagnosticar corretamente a doença.
    • Verificar o estado geral de saúde dos animais
    • Considerar o custo X benefício do tratamento.
    • Escolher a droga de eleição
    • Associar antibióticos apenas quando necessário e de acordo com o vencimento;
    • Iniciar o tratamento o mais rápido possível.
    • Escolher a droga apropriada.
    • Utilizar a dose e a via de aplicação recomendada pelos fabricantes.
    • Seguir rigorosamente o intervalo entre as aplicações indicadas na bula;
    • Nunca suspender o tratamento logo após o desaparecimento dos sintomas. Mantê-lo pelo período recomendado.
    • Acompanhar a evolução do tratamento;
    • Adotar medidas gerais de suporte ao tratamento: manter o animal em ambiente isolado, limpo, seco, protegido e confortável; água e alimentação de boa qualidade e em quantidade; tratamentos auxiliares: hidratação parenteral; uso de antiinflamatórios, antitérmicos, mucolíticos, limpeza, curativo de lesões, etc.
    • Obedecer ao período de carência dos antimicrobianos, que consta na bula. Fatores que interferem no período de carência: dose utilizada; via de aplicação; tipo de antimicrobiano administrado; tipo de veículo usado na formulação do antimicrobiano; quantidade de leite produzido no momento do tratamento; estado geral do animal, tratamento com mais de um tipo de antimicrobiano, por mais de uma via.